Guerrilheiros ameaçam matar os reféns
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 01 de janeiro de 1997
Reuter de Lima 
Os terroristas do Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA) voltaram a ameaçar matar os reféns, após dias de negociações e em seguida às reiteradas manifestações de otimismo por parte dos envolvidos na busca de uma saída pacífica para o sequestro de 83 pessoas que são mantidas desde o 17 na residência do embaixador japonês em Lima. Estamos decididos a nos sacrificar até as últimas consequências, disse um dos sequestradores a um grupo de jornalistas autorizado pelo comando do MRTA a se aproximar da casa. Qualquer mal causado a eles (os reféns) deve ser atribuído ao senhor Alberto Fujimori, se ele se decidir por uma intervenção militar, acrescentou. Aqui não há uma democracia; o que há é uma ditadura travestida de democracia, continuou o guerrilheiro, de uma das janelas da mansão. Estamos sob um regime de terrorismo de Estado, que mata de fome.
O discurso contrasta com o dos últimos dias, quando o MRTA passou a emitir vários sinais de conciliação, libertando reféns, mantendo contatos com o negociador do governo - o ministro da Educação, Domingo Palermo - e autorizando jornalistas a se aproximar da residência.
No domingo, declarações feitas por porta-vozes do grupo davam a entender que os terroristas estavam dispostos a abrir mão de sua reivindicação para a libertação dos companheiros guerrilheiros presos em troca de um compromisso do governo de melhorar as condições penitenciárias.
Segunda-feira à noite, Palermo entrou na residência para negociar mais uma vez, dando a impressão que o fim da crise estava próximo. Durante a conversa, a visita de um grupo de jornalistas ao cativeiro foi acertada. Mas a notícia de que o governo pretendia infiltrar agentes da polícia nesse grupo irritou os sequestradores.


