A direção nacional do MRTA ordenou a suas unidades de forças especiais e ao seu comando ‘‘atacar objetivos econômicos e militares em todo o país’’, se o presidente peruano Alberto Fujimori determinar a intervenção da residência do embaixador do Japão, tomada pelos terroristas terça-feira. Há 340 pessoas nas mãos dos guerrilheiros.
Um comunicado que inclui a advertência do grupo guerrilheiro foi enviado por fax à agência internacional de notícias France Presse em Lima, poucos minutos depois do presidente Fujimori falar ao país pela televisão. Aparentemente, o texto foi redigido pelos líderes da guerrilha antes de saber do conteúdo das declarações de Fujimori.
A direção nacional do MRTA reafirma no comunicado sua intenção de buscar uma saída para os ‘‘graves problemas econômicos e políticos do país’’. Acrescenta a nota: ‘‘Mas, na medida em que o governo está fechando possibilidades e hostiliza os ocupantes da residência com cortes de energia elétrica, água, telefone e alimentos, e prepara uma intervenção militar, a direção do MRT ordena o ataque em todo o território peruano’’.
Os guerrilheiros acrescentam que a advertência significa que aquilo ‘‘que suceda daqui por diante é absoluta responsabilidade do governo peruano’’. A nota, entregue em papel com o logotipo de ‘‘Voz Rebelde’’, aponta que ‘‘o Comando Edgar Sánchez ocupou a residência japonesa e que concluiu com êxito sua primeira etapa’’. ‘‘Foi uma operação limpa, cujo resultado são centenas de personalidades feitas prisioneiros de guerra’’.
Explica a nota que o Comando Edgar Sánchez tem dado mostras de ‘‘flexibilidade, liberando cinco embaixadores a quem pediu que intercedam ante o governo peruano e seus respectivos governos em busca de uma saída política’’ para o caso.
‘‘Estas mostras de flexibilidade estão sendo entendidas como fraqueza pelo governo peruano e alguns governos que irresponsavelmente estão pondo em perigo a vida de seus concidadãos ao incentivar uma saída militar. Este grave erro compromete a integridade física dos prisioneiros de guerra’’, acrescenta.
Barganha Horas antes de ser conhecida a proposta de Fujimori, o chefe do comando do MRTA, Nestor Cerpa (comandante Evaristo), reiterou em uma entrevista por walkie-talkie para a emissora local América Televisão que a solução pacífica para a crise ‘‘continua passando pela libertação’’ de seus ‘‘camaradas’’.
Cerpa permitiu aos dois reféns politicamente mais importantes, o chanceler Francisco Tudela e o embaixador nipônico Morihisa Aoki, dirigir uma mensagem dramática.
Tudela e Aoki pediram ao governo que estabeleça um diálogo direto com os rebeldes e para isso permita uma linha de comunicação, pois os serviços telefônicos fixos e celulares estão interrompidos por ordem das autoridades.
O chanceler peruano confessou sentir ‘‘uma grande frustração por não poder participar diretamente nas negociações’’ e pediu a Fujimori ‘‘uma solução negociada’’.
Cerpa destacou o desejo de seu movimento de libertar ‘‘paulatinamente’’ um grande número de reféns sem responsabilidades políticas. Pouco depois desse excepcional contato, a residência do embaixador japonês ficou totalmente às escuras, ao acabar o combustível que abastecia o local. Nas imediações da casa, centenas de jornalistas continuam esperando qualquer acontecimento.
Uma das primeiras reações do comando guevarista ao ser cortada a energia da casa, foi ‘‘não soltar mais reféns’’ sábado à noite, segundo declarou à imprensa o chefe adjunto da delegação da Cruz Vermelha no Peru, Juan Pedro Schaerer. Desde o início da cupação da residência do embaixador, 352 reféns já foram libertados.

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