France PressePatrulha do exército dá revista em motoqueiro na periferia de BogotáO presidente Ernesto Samper condenou ontem o sequestro de dois observadores eleitorais da OEA e pediu aos colombianos para desafiarem uma campanha rebelde visando torpedear as eleições do fim de semana votando pela paz.
Samper, tentando restaurar a calma num país tomado pela violência durante a campanha para as eleições deste domingo para prefeitos, governadores e vereadores, falou um dia depois que guerrilheiros marxistas capturaram dois funcionários da Organização dos Estados Americanos (OEA) na província de Antioquia, noroeste da Colômbia.
Os funcionários do Chile e da Guatemala, pegos por rebeldes do Exército de Libertação Nacional (ELN), faziam parte de uma equipe de 38 observadores da OEA que chegaram ao país no último fim de semana. O ELN anunciou que os observadores só serão libertados depois da eleição.
Samper afirmou que 350 mil policiais e soldados irão garantir que o processo eleitoral siga adiante como previsto em 95% das municípios do país, e pediu a seus cidadãos para não se curvarem diante da ofensiva militar do ELN e das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), visando forçar os eleitores a não saírem de casa no domingo.
‘‘Peço a todos colombianos para não temer a violência que está sendo dirigida contra a democracia e responder aos violentos votando pela paz e pela democracia’’, disse Samper. O presidente, que falou numa entrevista pelo rádio, referia-se a um referendo popular, conhecido como o Mandato dos Cidadãos pela Paz, Vida e Liberdade, que fará parte da votação de domingo.
Além da eleição de prefeitos, governadores de 32 províncias e vereadores, o plebiscito permitirá aos colombianos se manifestarem sobre o conflito interno que já matou mais de 35 mil civis na última década. O mandato inclui pedidos para as guerrilhas e grupos paramilitares direitistas pararem com o recrutamento forçado de menores, com os sequestros e desaparecimentos forçados e a política de terra arrasada que já forçou um milhão de camponeses a abandonarem suas propriedades nos últimos dez anos. Samper disse que a situação da ordem pública era normal ontem na maior parte da Colômbia. Mas um porta-voz da Polícia Nacional afirmou que rebeldes haviam detonado pelo menos 20 bombas em cidades e vilas em todo o país entre quinta-feira e a manhã de ontem.

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