Guerrilha protesta contra visita de Clinton
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segunda-feira, 28 de agosto de 2000
France Presse De Bogotá 
A onda de violência iniciada no fim de semana por paramilitares e guerrilheiros já resultou em cerca de 33 mortes e causa impacto antes da visita do presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, ao país, amanhã. As informações são das autoridades colombianas.
O chefe militar colombiano da região do Caribe, general Freddy Padilla, disse ontem a jornalistas que estas ações pretendem marcar a visita do presidente americano e prosseguir com seu funesto e inaceitável caminho de matanças e intimidações.
Clinton, que já expressou sua preocupação com o problema dos direitos humanos e do narcotráfico na Colômbia, chegará a Cartagena para se encontrar com o presidente colombiano Andrés Pastrana, que concorda com a aplicação de um plano antidrogas, de reativação econômica e de fortalecimento da democracia na região.
Os governos de Bogotá e Washington esperam que, com a aplicação deste programa de ajuda econômica e militar (US$ 1,3 bilhão vindos dos EUA) acabe definitivamente o financiamento dos narcotraficantes a rebeldes e paramilitares.
Uma mulher e nove homens foram baleados no domingo por membros do grupo paramilitar Autodefesas Unidas da Colômbia (Auc), na cidade caribenha de Ciénaga, na jurisdição de Padilla.
Testemunhas afirmam que a matança foi cometida por 150 homens armados, que chegaram à cidade em vários caminhões e tiraram as vítimas de suas casas e de uma discoteca, atacando-as, depois de verificar suas identidades.
O comando de Polícia do departamento de Madalena fronteira com o de Bolívar, do qual Cartagena é capital, e onde fica Ciénaga disse que os criminosos acusaram as vítimas de colaborar com guerrilheiros esquerdistas.
As Auc lutam com os rebeldes marxistas das Forças Armadas Revolucinárias da Colômbia (Farc) e do Exército de Libertação Nacional (ELN), além de atacar civis alheios ao conflito, que cada bando toma por rivais.
A polícia informou também que membros das Auc assassinaram na sexta-feira cinco camponeses no município caribenho de Colosó, próxima a Bolívar, depois de acusá-los de ser informantes dos rebeldes.
O general Padilha disse que foram intensificadas as medidas de segurança na zona do Caribe para controlar os paramilitares e garantir a segurança de Clinton, Pastrana e outras autoridades colombianas e americanas que estarão em Cartagena.
Outro comando das Auc matou sete civis na zona rural de Buenaventura (sudoeste), o principal porto da Colômbia voltado para o oceano Pacífico, alegando que eram aliados dos guerrilheiros.
Mais seis pessoas foram mortas na noite de sábado, em Barrancabermeja, principal centro petrolífero do país, localizado a 400 km ao noroeste de Bogotá, em atos atribuídos pelas autoridades a vinganças entre guerrilheiros do ELN e das FARC, que tentam assumir o controle da cidade.
No mesmo local, no sábado, o Exército matou durante um combate quatro paramilitares que haviam atacado civis, sob acusação de estarem comprometidos com as Farc e o ELN.


