As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) pediram ao governo do presidente Fernando Henrique Cardoso para não deportar seu delegado detido no Brasil, alegando que sua vida corre perigo.
Francisco Antonio Cadena, um ex-sacerdote católico que há mais de 12 anos se incorporou às Farc, foi detido na sexta-feira passada em Foz do Iguaçu, em local próximo à fronteira com o Paraguai.
‘‘O companheiro Cadena estava em sua atividade de gestões diplomáticas e, quando se deslocava por uma região fronteiriça entre Brasil e Paraguai, foi detido pela Polícia Federal’’, afirmou a Andrés París, o porta-voz das Farc na mesa de negociações com o governo do presidente Andrés Pastrana.
O guerrilheiro ia ser deportado pela Polícia Federal por não ter seu passaporte em dia, mas um juiz suspendeu a ordem alegando violações ao direito de defesa do ex-sacerdote.
‘‘Estamos pedindo à embaixada brasileira que resolva a situação à luz da lei brasileira e evite a deportação, já que (Cadena) correria risco de vida aqui na Colômbia’’, disse París.
Para o porta-voz das Farc, a detenção de seu delegado no Brasil faz parte das dificuldades que têm as Farc para executar um programa de relações internacionais.
No entanto, ele assegurou que o grupo guerilheiro ‘‘vem avançando (em suas atividades diplomáticas) em muitos países’’, tanto da Europa como da América Latina.
O Plano Colômbia contra o narcotráfico ampliará o problema de mais de um milhão de refugiados colombianos, expulsos pela violência do lugar onde viviam – o que poderia provocar um conflito com os países vizinhos, afirmaram ontem os porta-vozes das Farc.
Para que o governo ‘‘deixe de agredir seus vizinhos através desta onda de refugiados que acrescentará mais problemas aos já enfrentados por estas nações’’, disse Andrés París, ‘‘é preciso suspender imedidatamente o Plano Colômbia.’’
Amanhã, a mesa de negociações de paz entre o governo do presidente Andrés Pastrana e as Farc fará uma audiência pública, na qual 50 representantes do refugiados formularão recomendações para deter a migração interna, que vem se agravando há mais de uma década.
As Farc convidaram observadores do Brasil, Equador, Venezuela, Panamá e Peru, países que poderiam ser afetados pela fuga de camponeses quando começar a destruição das plantações de coca e papoula prevista pelo Plano Colômbia. Mas o governo se opôs à confirmação dos convites.
París lembrou que os países fronteiriços já manifestaram o temor de ser invadidos por milhares de refugiados o que poderia gerar tensões diplomáticas.
‘‘Igualmente alarmados estão os brasileiros e equatorianos que já expressaram sua preocupação nesse sentido.’’
O Plano Colômbia teve início oficialmente anteontem à noite, quando os EUA entregaram os primeiros US$ 94 milhões do US$ 1,3 bilhão previsto.
Para o governo, o Plano Colômbia não constitui perigo para os países vizinhos, recordando que o projeto fornece recursos de US$ 37,5 milhões para atender aos camponeses refugiados.
O chanceler Guillermo Fernández de Soto disse ontem que a verba desta primeira quota está destinada a programas sociais, humanitários, para o fortalecimento da Justiça e os direitos humanos e a substituição das plantações ilícitas.

mockup