Guerrilha massacra unidade colombiana
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quinta-feira, 05 de março de 1998
Reuter 
O Exército colombiano sofreu a maior derrota de sua história para guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) nos combates iniciados no domingo na Província de Caquetá, sul do país. O subcomandante das forças governamentais, general Fernando Tapias, admitiu ontem que os violentos choques causaram a morte de mais de uma centena de pessoas, entre militares e guerrilheiros.
Tapias disse que problemas de comunicação com os grupos de resgate enviados a Caquetá impedem que o Exército tenha ciência do real número de baixas no local dos combates, mas reconheceu que as poucas notícias que têm chegado são preocupantes.
Os choques começaram quando cerca de 400 guerrilheiros lançaram uma ofensiva contra um posto avançado do Exército, integrado por 120 soldados, numa região montanhosa no meio da selva. Segundo declarações de componentes das primeiras equipes de resgate que chegaram ao local, concedidas à emissora colombiana Radionet, a base militar foi totalmente destruída pelos rebeldes. Ainda de acordo com um desses relatos, foram encontrados dezenas de cadáveres espalhados pelo local e as equipes de resgate não encontraram nem um único sobrevivente.
Um porta-voz da guerrilha entrou em contato com a Cruz Vermelha Internacional informando a morte de 70 soldados e 3 civis. As Farc pediram a ajuda da entidade para cuidar de 33 feridos - sem esclarecer em qual dos lados eles combatiam - e anunciaram que mantêm 8 soldados como prisioneiros.
A catástrofe militar ocorre às vésperas das eleições parlamentares colombianas, marcadas para domingo. Empreendendo uma campanha de terror, as Farc e outra guerrilha, o Exército de Libertação Nacional (ELN), decidiram boicotar o pleito por considerá-lo manipulado por corruptos.
Nas regiões dominadas pelos guerrilheiros, os comícios estão proibidos e os eleitores foram advertidos para que não compareçam às urnas. As Farc sequestraram cerca de dez prefeitos de pequenos municípios nas últimas duas semanas em meio à campanha de boicote.
Em meio à apatia da maioria dos 20,7 milhões de eleitores registrados, a votação de domingo deve renovar inteiramente o Senado, de 102 cadeiras, e a Câmara Federal, composta por 161 deputados. Serão as primeiras eleições legislativas do país desde o escândalo causado pelos indícios de que grupos de narcotráfico financiaram a campanha eleitoral do presidente do país, Ernesto Samper, em 1994.
Concorrem aos cargos 7.732 candidatos espalhados por mais de uma centena de agremiações e movimentos políticos. Desses, pelo menos 74 estão envolvidos em investigações penais, segundo a Promotoria Federal. Os colombianos consideram o seu Congresso a instituição mais corrupta do Estado, segundo sondagens de opinião.


