Guerrilha luta na Macedônia
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de março de 2001
Jerome Delay Associated Press De Tetovo, Macedônia 
Em intensos combates, insurgentes albaneses étnicos enfrentavam ontem unidades especiais do Exército da Macedônia nos arredores da segunda maior cidade do país e avançavam em outra frente em direção à capital. O governo anunciou que poderia pedir ajuda à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para combater os terroristas.
Foi o segundo dia de confronto entre forças contraguerrilheiras e rebeldes infiltrados nos arredores do Monte Sar Planina, logo ao norte de Tetovo. Disparos de metralhadora e de morteiros reverberavam de três vilas durante toda a manhã, e fumaça subia das colinas, provavelmente de um incêndio provocado por balas traçadoras.
Dois civis albaneses étnicos foram feridos por balas perdidas, informou a rádio estatal da Macedônia. Uma pessoa foi morta na quarta-feira e pelo menos 14 outras ficaram feridas, 11 delas policiais.
Os rebeldes, cuja insurgência começou há um mês num vilarejo na fronteira com Kosovo, pareciam determinados a expandir sua luta da fronteira esparsamente povoada com Kosovo para o norte, onde ficam as principais cidades da Macedônia.
Oficiais da polícia, que pediram para não ser identificados, disseram à Associated Press que os combates de ontem se espalharam para as proximidades de Skopje, envolvendo a vila nortista macedônia de Lipkovo, 29 quilômetros a nordeste da capital.
Longas filas foram formadas em postos de gasolina de Tetovo, quando a maioria dos moradores eslavos começava a abandonar a cidade majoritariamente albanesa étnica de 80.000 habitantes. As lojas permaneceram fechadas ontem e a maioria dos moradores permaneceu dentro de casa.
Ontem, um oficial da Otan, disse em Bruxelas que a aliança está ombro a ombro com o governo macedônio, mas ele deixou claro que não serão enviadas tropas de combate para a Macedônia. O oficial disse que os combates no país do sul dos Bálcãs eram um problema doméstico. Mas o primeiro-ministro Ljubco Georgievski disse que pode ser necessário um envolvimento direto da Otan a fim de ajudar a conter os ataques rebeldes. No caso de ser necessário, vamos pedir a eles para confrontarem diretamente os terroristas, adiantou.


