Os guerrilheiros peruanos que ainda mantêm mais de 140 reféns na residência do embaixador do Japão em Lima voltaram a afirmar que não libertarão os cativos enquanto o governo não atender suas exigências. Os rebeldes do Movimento Revolucionário Tupac Amaru libertaram no domingo 225 reféns, entre eles todos os sequestrados dos Estados Unidos, Alemanha e Grã-Bretanha.
Entretanto, em um comunicado divulgado pouco antes de abrirem as portas da residência do embaixador para permitir a saída das pessoas, os guerrilheiros anunciaram que manterão sob seu poder os altos funcionários do governo peruano e convidados japoneses, até que atendam a suas demandas.
Os guerrilheiros exigem a libertação de mais de 400 de seus companheiros presos em celas peruanas.
Entre os japoneses em poder dos rebeldes se encontram os principais executivos no Peru de grandes corporações do Japão, e o embaixador Morihisa Aoki.
Até o momento, o presidente Alberto Fujimori tem se negado a atender às exigências dos guerrilheiros e ordenou que fosse cortado o abastecimento de água e energia elétrica da residência, uma medida que segundo os reféns libertados põe em risco a saúde e segurança dos que permanecem no interior da casa.
‘‘É extremamente importante que se restaure o abastecimento de água. A água é indispensável. Sem ela a situação é muito perigosa’’, assinalou Victor Lucero, ex-refém e médico.
No comunicado, o MRTA advertiu também ao governo que ‘‘se Fujimori optar por uma solução militar, sempre encontrará um membro do Tupac Amaru vigilante’’.
A polícia, que preparou comandos para invadir a residência como último recurso caso fracassem as negociações, informou que os rebeldes contam com quatro franco-atiradores postados em janelas estratégicas com fuzis de miras telescópicas diurnas e noturnas.
Cerca de 900 policiais cercavam ontem o local.
Ao serem libertados no domingo, os ex-reféns foram calorosamente recebidos por centenas de familiares, repórteres e funcionários. Pareciam cansados, mas aliviados por deixarem a residência depois de cinco dias de cativeiro.
Entre eles estavam os embaixadores da Bolívia, Guatemala, Honduras, Panamá, Venezuela e Cuba, assim como diplomatas da Bolívia, União Européia, Nações Unidas, Grã-Bretanha, Espanha, Alemanha e Estados Unidos.

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