Guerrilha aceita trégua em Guiné-Bissau
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domingo, 26 de julho de 1998
Reuters e France Presse 
France PresseCessar-fogoRepresentantes do governo e da guerrilha apertam as mãos diante do presidente do Grupo de Contato, José Luis Jesus: descanso às armasA junta militar que há mais de um mês tenta derrubar o governo do presidente João Vieira, da Guiné-Bissau, concordou ontem em assinar uma trégua e depor as armas enquanto durarem as negociações entre as duas facções. A trégua, intermediada pelo Grupo de Contato da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), foi assinada em Bissau, capital daquele país da costa ocidental africana.
Segundo informou o chefe da Assessoria de Comunicação Social do Itamaraty, ministro Luiz Fernando Ligiero, o Brasil é representado no Grupo de Contato da CPLP pelo diretor-geral do Departamento de África e Oriente Próximo do Itamaraty, ministro José Vicente de Sá Pimentel.
Segundo o memorando de trégua assinado ontem, as negociações de paz serão retomadas dentro de oito dias, na fragata Corte Real, colocada à disposição pela Marinha de Portugal para servir como local para as negociações, que se vêm realizando no próprio navio, ancorado na costa da Guiné-Bissau, e também na Ilha do Sal, em Cabo Verde.
O conflito na Guiné-Bisau começou em 7 de junho, liderado pelo ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do país, Ansumane Mané, deposto dois dias antes pelo presidente João Bernaro Vieira sob acusação de contrabandear armas para guerrilheiros separatistas de Casamance, uma ex-colônia portuguêsa anexada ao Senegal, país vizinho da Guiné-Bissau.
Os líderes rebeldes exigem a renúncia do presidente, a quem acusam de atropelar a Constituição, pois queriam que ele tivesse convocado eleições já para este mês de julho. Vieira encontra-se no governo desde 1980.
Argélia Depois de uma relativa calma, os massacres de civis recomeçaram no oeste da Argélia, onde 20 pessoas foram assassinadas na madrugada de ontem em Tlemcen e Saida, segundo balanços publicados pelos serviços de segurança.
Estas matanças ocorrem ao mesmo tempo que uma missão de observação da ONU - que é dirigida pelo ex-presidente português Mário Soares - prossegue com suas consultas, em entrevistas com dois delegados de partidos da oposição.
Estes são os primeiros massacres anunciados desde que a missão chegou na quarta-feira passada e os mesmos foram atribuídos a grupos terroristas pelos serviços de segurança, que precisaram ter lançado uma intensa operação para descobrir os autores deste ato covarde e vergonhoso. O ministro do Interior, Mustafa Benmansur, decidiu visitar as famílias das vítimas dos massacres.
Oito pessoas foram assassinadas em Saida (sudoeste) e outras doze na região de Tlemcen (extremo oeste).
Vários massacres atribuídos a katibat (falanges) do Grupo Islâmico Armado (GIA) foram cometidos durante os últimos meses na região ocidental do país, para onde se deslocou o epicentro da violência. Apesar de a violência ter diminuído desde os massacres coletivos da festa religiosa do Ramadã (mais de mil mortos em janeiro), os atentados e massacres esporádicos continuam ensanguentando o país.


