Guerras e secas são combinação fatal
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de janeiro de 2001
IPS De Washington 
Vão faltar alimentos, este ano, no Afeganistão, Angola, Colômbia, Coréia do Norte, Guiana, Serra Leoa e Sudão. É o que diz o Programa Mundial de Alimentos (PMA), um organismo das Nações Unidas com sede em Roma. Os Bálcãs, em especial a Sérvia, também são identificados como áreas de desastre potencial, devido ao aumento dos preços dos alimentos e crescentes dificuldades econômicas da população.
A combinação de guerras e desastres naturais continuará cobrando vítimas em 2001, prevê Catherine Bertini, diretora-executiva do PMA. A fome é um problema mundial que precisa de resposta nesse nível. Portanto, devem se realizar maiores compromissos políticos e financeiros antes que a crise se agrave.
Cerca de 830 milhões de pessoas, em uma população mundial de 6 bilhões, estão subalimentadas e, dessas, 791 milhões vivem em nações em desenvolvimento, segundo o PMA. A entidade publicou, na semana passada, o Mapa Mundial da Fome, que identifica as regiões do mundo mais ameaçadas por esse flagelo fincado na pobreza, guerras ou desastres naturais. A Colômbia é o único país da América Latina ameaçado e precisa de ajuda urgente para milhares de habitantes que ficaram sem lar por causa da guerra civil. Outros países latino-americanos com altos índices de desnutrição são Bolívia, Haiti e Honduras.
Dos quatro países africanos mencionados pelo PMA, o Sudão é o mais ameaçado. Cerca de 3,2 milhões de sudaneses padecem de escassez de alimentos e de água potável. A Guiné alberga a segunda maior população de refugiados da África, que inclui 330 mil serraleonenses e 130 liberianos. Em Serra Leoa, a guerra civil e imensos bolsões de fome ameaçam uma população muito frágil. A isso se acrescentam os refugiados que estão retornando ao país por causa da guerra civil na Guiné.
Na Ásia, o Afeganistão sofre a pior seca em décadas, o que coloca 4 milhões de pessoas à beira da inanição. Entretanto, prevê-se que a Coréia do Norte sofrerá o seu sétimo ano consecutivo de escassez de alimentos devido à seca, aos tufões, à falta de infraestrutura e aos problemas econômicos. Cerca de 23 milhões de norte-coreanos recebem ajuda do PMA naquela que é a maior operação humanitária da entidade.
A Ação contra a Fome, uma organização humanitária sediada em Nova York, denunciou a utilização da fome como arma em guerras civis de Serra Leoa, Somália, Sudão e República Democrática do Congo (ex-Zaire). Quem controla o fornecimento de alimentos tem o poder, é a primeira frase do livro A Geopolítica da Fome 2000-2001, publicado, em dezembro, pela Ação contra a Fome.


