Londres Uma eventual guerra contra o Iraque parece altamente improvável antes de dois meses, ou seja, final de fevereiro, período que permitirá a Washington e Londres mobilizar as forças necessárias na região, estimou ontem um ex-militar britânico. Para Sir Timothy Garden, ex-oficial e membro do Real Instituto de Assuntos Internacionais (RIIA, sigla em inglês), restam ''provavelmente dois meses no total para se chegar a uma situação de guerra potencial'', período que dá ao Iraque um tempo suficiente para cooperar com as exigências da ONU.
''Todos os movimentos logísticos dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha nos levam ao mês de fevereiro, quando tudo estaria pronto para uma operação militar'', assinalou Sir Timothy Garden.
Para o especialista, realizar a operação ''com forças limitadas seria altamente arriscado''.
Preparativos O primeiro-ministro Tony Blair pediu ontem às forças britânicas que se preparem para uma ofensiva contra o Iraque, caso o presidente Saddam Hussein não respeite as exigências da ONU sobre seu desarmamento. ''Às vezes, a melhor maneira de evitar a guerra é se preparar'', disse Blair em uma mensagem divulgada pela rádio/TV das Forças Armadas (British Forces Broadcasting Service/BFBS).
''O importante no momento é fazer todos os preparativos necessários e garantir que possamos os norte-americanos e nós dispor dos recursos necessários na região, e que seremos capazes de cumprir esta missão'', acrescentou.
Reforços Os Estados Unidos poderão reforçar sua presença militar na região do Golfo com 50.000 homens e material adicional, no início de janeiro, visando uma eventual guerra contra o Iraque, anunciou o Pentágono, ontem. Atualmente Washington mantém 65.000 militares no Oriente Médio e no Afeganistão.
Um funcionário do Pentágono confirmou as informações da imprensa dando conta do próximo envio de 50.000 homens, assim como de milhares de toneladas de equipamentos militares, que serão distribuídos pelos países vizinhos do Iraque. ''Queremos estar prontos. Mas a definição sobre um conflito cabe ao presidente Bush e ele ainda não tomou qualquer decisão'', acrescentou a mesma fonte.
Posição britânica Londres continua preferindo que uma segunda resolução da ONU seja adotada antes de se empreender uma guerra contra o Iraque, utilizando os mesmos termos empregados no final de novembro passado pelo ministro das Relações Exteriores britânico Jack Straw, precisou ontem um de seus assessores.
O jornal londrino The Times, citando fontes governamentais, publicou ontem, em sua primeira página, que a Grã-Bretanha pretende pedir o aval das Nações Unidas para iniciar a guerra contra o Iraque caso o presidente iraquiano Saddam Hussein não cooperar com os inspetores da ONU.

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