Guerra no Afeganistão vai piorar antes de chegar ao fim
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Folhapress 
São Paulo - A guerra no Afeganistão deve piorar antes que chegue ao fim, disse o presidente americano, Barack Obama, ontem em coletiva de imprensa ao lado do líder afegão, Hamid Karzai. No entanto, ele disse que o plano de retirada das tropas será mantido. ''O que eu quero enfatizar é o fato de que haverá duros confrontos nos próximos meses'', disse. ''Não iremos negar esse processo.Tampouco iremos negar os sérios desafios que enfrentamos no Afeganistão'', acrescentou o presidente americano.
As forças norte-americanas no país se preparam para uma ofensiva contra o Taleban na Província de Candahar, que começará em junho. A campanha -que já teve início em distritos do subúrbio da cidade-deve ser uma das mais violentas da guerra, que já dura nove anos.
Os EUA baixaram o tom com Karzai, depois de meses de críticas sobre a conduta em relação ao conflito e às denúncias de fraudes na reeleição do líder afegão, no ano passado.
Na coletiva, os dois líderes disseram que divergências são ''normais'', já que há muito em jogo. ''Há momentos em que falamos francamente uns com os outros, e a franqueza apenas contribui para fortalecer nosso relacionamento'', disse Karzai ao lado de Obama.
Segundo Obama, os EUA tomaram ''medidas extraordinárias'' para evitar mortes de civis. ''Eu não quero civis mortos'', acrescentou.
Tropas dos EUA
No ano passado, ao anunciar a expansão das tropas no país -que devem bater o recorde de 98 mil homens-Obama prometeu trazer parte dos soldados para casa em julho de 2011.
A data pretendia garantir ao Paquistão e aos críticos da guerra que o conflito teria um fim. O cronograma também visava ser um sinal para Karzai de que os EUA esperavam comprometimento, como o estabelecimento de um governo estável e o combate à corrupção. ''Nós não vamos, em julho de 2011, deixar de lado o Afeganistão'', disse Obama. ''Depois dessa data, continuaremos a ter interesse em um Afeganistão seguro, com desenvolvimento econômico em progresso e com a promoção da boa governança'', afirmou.
Dirigindo-se aos americanos, Obama disse que os EUA fazem ''progresso gradual'', e que não é algo ''da noite para o dia''. Ao menos 982 soldados americanos morreram no Afeganistão, Paquistão e Uzbequistão desde o início da ação militar liderada pelos EUA em 2001.


