No centro de Damasco, um suicida detonou explosivos em um edifício que abriga dois tribunais, matando ao menos 32 pessoas
No centro de Damasco, um suicida detonou explosivos em um edifício que abriga dois tribunais, matando ao menos 32 pessoas | Foto: Louai Beshara/AFP



Damasco - A guerra na Síria, que deixou mais de 320 mil mortos, completou nesta quarta-feira (15) seis anos com dois atentados em menos de duas horas em Damasco. As explosões ocorreram cinco dias após 74 pessoas perderem a vida em um duplo atentado na capital síria.

Por volta das 13h10 (8h10 de Brasília), um suicida detonou explosivos em um edifício que abriga dois tribunais, no coração de Damasco, matando ao menos 32 pessoas, de acordo com uma fonte policial.

"Ouvi um ruído, olhei para a esquerda e vi um homem vestido com um casaco militar", explicou à televisão pública um homem com um curativo no olho. "Na hora, levantou os braços e gritou 'Allah Akbar' (Deus é grande), e depois a explosão aconteceu", acrescentou a testemunha, que estava no edifício. "Caí no chão e senti o sangue fluir pelo meu olho."

A explosão foi registrada em um horário de muito movimento e deixou 100 feridos.

Menos de duas horas depois, no bairro de Rabué, na zona oeste de Damasco, outro suicida "detonou seu cinturão explosivo no interior de um restaurante", informou a agência oficial síria Sana. A fonte policial informou que ao menos 25 pessoas ficaram feridas.

Enquanto isso, o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) informou que ao menos 21 civis, entre eles 14 crianças, morreram na madrugada desta quarta-feira em bombardeios sobre a cidade de Idlib, no noroeste do país, sob controle extremista.

Estas mortes aumentam os números do balanço de seis anos de guerra, que já deixou 320 mil e mais de 11 milhões de deslocados e refugiados. Este trágico aniversário coincide com uma terceira rodada de negociações de paz no Cazaquistão, que terminaram sem avanços.

"Minhas melhores lembranças da revolução são de quando minha cidade foi libertada do opressor Bashar Assad", afirmou à AFP Abdullah al Hussein, de 32 anos, um jogador de futebol de Saraqeb, uma das cidades da província de Idlib.

O conflito começou em 15 de março de 2011 quando ocorreram manifestações pacíficas após a prisão e a tortura de estudantes, dos quais se suspeitava que haviam escrito lemas contra o regime nas paredes de Deraa. Estes protestos foram duramente reprimidos e acabaram resultando em uma rebelião armada e em uma guerra civil, na qual foram envolvidas forças locais, regionais e internacionais.

"Quando começamos a protestar, não esperava que chegássemos a este ponto. Pensava que terminaria em dois, três meses, um ano no máximo", lamentou Abdullah. "Pouco importa se esta guerra terminará pelas armas ou de forma pacífica. O povo quer viver em paz", afirmou.

A comunidade internacional se dividiu sobre o conflito sírio, com um bloco a favor do regime, liderado por Rússia e Irã, e um campo favorável à oposição, liderado pelos Estados Unidos, com o apoio de muitos países europeus, da Turquia e dos países do Golfo Pérsico.

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