Londres - A ''guerra contra o terrorismo'' afeta gravemente os direitos humanos, afirmou ontem a secretária-geral da Anistia Internacional (AI) Irene Khan, por ocasião da publicação do relatório anual da organização de defesa dos direitos humanos, particularmente crítico aos Estados Unidos. De acordo com Khan, ''o governo americano e seus aliados na chamada 'guerra contra o terrorismo' persistem em aplicar estratégias que podem ser úteis politicamente, mas que são ineficientes e que afetam gravemente os direitos humanos''.
''É preciso atacar as causas do terrorismo'', ensina. ''Observando situações como Chechênia, Oriente Médio ou até Iraque, pode-se notar que este tipo de exclusão é prejudicial à estabilidade e proveitoso para os movimentos terroristas''.
''Não se pode conquistar os corações e os espíritos das pessoas estigmatizando comunidades inteiras ou criando mártires. Por isso, acreditamos que a estratégia a longo prazo para que prevaleça a segurança no mundo deve se basear no respeito aos direitos humanos'', explica Khan.
''Tentar influenciar diretamente os grupos armados seria difícil, pois eles não têm a mínima consideração com esses direitos. No entanto, eles são apoiados pelas comunidades nas quais vivem e recrutam seus membros, eles recebem dinheiro e armas'', lembra a ativista.
Em seu relatório, a AI também considera que as Nações Unidas não têm a capacidade de reagir quando seus estados membros infringem tranquilamente os direitos humanos. ''Tornou-se mais díficil para os organismos internacionais trabalharem após os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, principalmente quando existe uma real vontade de enfraquecê-los'', lamenta Khan.
''Os direitos humanos dependem do sistema multilateral. Se este sistema for destruído, os direitos humanos não existirão mais, e é exatamente o que está acontecendo agora'', advertiu, expressando a esperança de que ''a reforma da ONU traga algumas mudanças neste panorama''.
A AI definiu como suas prioridades nos próximos meses trabalhar para erradicar a violência contra as mulheres, promover o controle das armas principalmente as leves e as convencionais e reafirmar a proibição de qualquer ato de tortura.
Apesar de um balanço 2005 sombrio em matéria de direitos humanos, a AI destacou como pontos positivos o aumento das grandes manifestações populares, como as que seguiram os atentados de Madri (11 de março de 2004) ou as que permitiram a ''revolução'' pacífica na Ucrânia.
''Observem o que ocorreu da Europa do Leste. O muro de Berlim caiu graças às ações concretas das pessoas. Os que desejaram realmente grandes mudanças fizeram acontecer. As pessoas estão sedentas de justiça e liberdade'', finaliza a secretária-geral de AI.

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