Guatemala- O presidente George W. Bush visitou ontem médicos militares americanos e guatemaltecos que trabalham juntos em comunidades indígenas da Guatemala, mas manifestações mostraram novamente o ceticismo dos povos latino-americano no que se refere à generosidade dos Estados Unidos.
Cerca de 2.000 pessoas, em maioria estudantes de esquerda e camponeses contrários à política de livre-comércio e de imigração praticada pelos Estados Unidos, protestaram numa capital tomada pelas forças de segurança.
Parte dos manifestantes atiraram pedras nos policiais e tentaram forçar a passagem na direção do palácio nacional, onde Bush se encontrou com o colega Oscar Berger.
À tarde, em Santa Cruz Balanya, Bush e sua esposa Laura tratavam de minimizar o sentimento antiamericano e antiliberal no país.
Na quarta e penúltima etapa de sua viagem à região, Bush visitou uma escola onde equipes médicas militares dos dois países ministram cuidados aos locais, essencialmente indígenas do povo maia.
Ele também visitou uma cooperativa agrícola, a Labradores Mayas. Numa zona que praticava até o fim dos anos 70 uma agricultura de subsistência e que recebeu a ajuda americana, Labradores Mayas criou 207 empregos, assinou em 1995 um acordo para vender seus produtos à rede McDonald's e trata agora com os grande distribuidores da América Central, inclusive com a Wal-Mart America.
A ajuda americana ''financiada pela generosidade do povo americano, ajuda pessoas como vocês a realizarem seus sonhos'', disse Bush. ''O livre-comércio é importante para muitas pessoas. É importante para seu país, é uma porta de entrada, cria empregos na América e aqui'', prosseguiu.
O objetivo de Bush era ilustrar com um exemplo concreto a mensagem que propaga em todos os países em que esteve durante sua viagem pela região: Os Estados Unidos não estão preocupados somente com comércio, e ''desejam o bem-estar das pessoas'' na América Latina.
Santa Cruz Belanya era o lugar perfeito para a outra parte da dupla mensagem de Bush: é melhor para a América Latina aderir à democracia e ao livre-comércio e não ceder aos apelos de dirigentes como o venezuelano Hugo Chávez.
O município de cerca de 10.000 habitantes se beneficiou da ajuda americana à reconstrução quando foi devastada pelo terremoto de 1976. Ela também é o exemplo, segundo Bush, das vantagens da liberalização do comércio, materializada pelo Acordo de Livre-Comércio da América Central (ALEAC, CAFTA em inglês) assinado com os Estados Unidos e que vigora desde 2006 na Guatemala.

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