ESTOCOLMO - O governo e a guerrilha da Guatemala firmaram ontem em Estocolmo um acordo para reformar a Constituição e o sistema eleitoral, o que permitirá aplicar os acordos alcançados para pôr fim a uma guerra de 36 anos que deixou 100 mil mortos e 40 mil desaparecidos.
Em uma cerimônia na chancelaria sueca, quatro representantes da comissão de paz governamental, quatro comandantes da guerrilha União Nacional Revolucionária da Guatemala (UNRG) e o mediador da ONU, Jean Arnault, firmaram o que será o marco institucional para transformar a estrutura ‘‘caduca’’ da Guatemala e sua Constituição.
O acordo de reformas constitucionais e regime eleitoral subscrito pelas partes em conflito é o segundo de três ‘‘acordos parciais’’ firmados na Europa este mês prévios ao acordo de paz final, que será assinado no próximo dia 29 na Guatemala.
Este documento é inédito na região porque assenta as bases para que a Guatemala, onde mais de 60% da população é indígena, se transforme em um país ‘‘multiétnico, multicultural e plurilíngue’’, concordaram delegados da guerrilha e do governo.
Os delegados do governo e da guerrilha firmaram, antes deste acordo, um cessar-fogo e, na próxima quinta-feira, assinarão em Madri a reinserção da Unidade Revolucionária Nacional Guatemalteca à vida civil.

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