Com a chegada dos comandantes guerrilheiros à Guatemala, tudo estará pronto para a assinatura hoje do acordo de paz que porá fim ao último conflito armado na América Central. Apesar de a hora da chegada dos comandantes guerrilheiras estar sendo mantida em segredo por razões de segurança, fontes extra-oficiais estimam que ela acontecerá por volta das 15h locais (19h de Brasília), duas horas antes da cerimônia de assinatura do acordo de paz.
Organizações indígenas, sindicais e populares, bem como o governo, programaram desde ontem celebrações maias, atividades religiosas e políticas, passeatas, atos culturais e sociais para festejar a chegada da paz, depois de 36 anos de guerra interna.
A centenária Universidade de San Carlos (Uasc) abriu as comemorações ontem à tarde com um festival artístico durante o qual se apresentaram diversos grupos de dança e música. Hoje, a Uasc, junto com igrejas católicas e evangélicas, realizará uma passeata até o cemitério geral, onde acontecerá um ato em memória dos mártires da guerra, que deixou um balanço de 150 mil mortos e 40 mil desaparecidos.
A Frente Democrática Nova Guatemala (FDNG), primeiro partido político de esquerda a ser reconhecido oficialmente desde 1954, bem cono a Unidade de Ação Sindical e Popular (Uasp) e a Federação Nacional de Servidores Públicos da Guatemala (Fenasteg) realizaram uma passeata da paz ontem às 12h (16h).
Esta será a primeira ocasião, desde que se iniciou a guerra em novembro de 1960, que os guerrilheiros entrarão legalmente no país, já que ontem entrou em vigor a Lei de Reconciliação, através da qual foram proscritos os crimes políticos e comuns relacionados ao conflito armado.
A Uasp e a Fenasteg convocaram mais sete concentrações que acontecerão em diferentes pontos da cidade. A última será na Praça da Constituição, no centro da capital, diante do Palácio Nacional, sede da cerimônia oficial da assinatura da paz. A Coordenadora Nacional de Viúvas da Guatemala (Conavigua) convocou concentrações que serão realizadas nas capitais departamentais de todo o país.
A Associação da Sociedade Civil, grupo autônomo que elaborou diversos projetos para serem analisados nas negociações de paz - que duraram cinco anos -, também está organizando atos ecumênicos desde ontem.
Estes atos incluem cerimônias maias na Praça Central e celebrações religiosas católicas e evangélicas conjuntas, em reconhecimento à pluralidade étnica deste país cuja população majoritária é indígena (cerca de 60% dos 10,5 milhões de habitantes).
A Fundação Rigoberta Menchú, presidida pela Prêmio Nobel da Paz de 1992 e líder indígena de mesmo nome, organiza para amanhã duas concentrações em regiões camponesas onde o conflito bélico foi especialmente violento nos últimos anos.
Estes atos serão realizados na aldeia de Cantabal, localizada em Ixcán, Departamento de Quiché, 350 km ao norte da capital, e na de Saxajché, no Departamento de Petén, 500 km a nordeste da Cidade da Guatemala.
As 54 delegações de países e de organizações internacionais que confirmaram presença ao ato protocolar - entre as quais haverá dez presidentes - começaram a chegar sábado à tarde à capital guatemalteca.

mockup