Guatelama
As Forças Armadas da Guatemala, apontadas por um relatório da ONU como responsáveis por 93% dos crimes e 623 massacres cometidos durante o passado conflito armado de 36 anos (1960-96), vão ser reduzidas de 27.600 para 15.500 efetivos, mas seus oficiais - longe de serem processados por violar os direitos humanos - receberão belas indenizações. Ontem ocorreram novos protestos de estudantes no país (foto).
O presidente Oscar Berger anunciou quinta-feira a redução dos efetivos e de 50% do orçamento, em um ato no qual abundaram os comentários favoráveis mas também houve críticas pelo alcance dos benefícios.
Berger reconheceu que, no plano de redução das Forças Armadas, não se considerou a recomendação sobre as violações aos direitos humanos feita pela Comissão de Esclarecimento Histórico (CEH), patrocinada pela ONU.
A líder indígena Prêmio Nobel da Paz 1992 e atual Embaixadora da Boa Vontade dos Acordos de Paz, Rigoberta Menchú, elogiou a redução militar, mas afirmou que ''os grupos sociais devem exigir que sejam julgados os violadores'' dos direitos humanos.
Já o diretor da Agência de Direitos Humanos do Arcebispado, Nery Rodenas, disse à AFP: ''Nos preocupa esta redução, que é de forma e não de fundo, (pois se) devia reduzir o número de oficiais graduados, e depurar os que violaram os direitos humanos ou que estão envolvidos em outros delitos''.





