Caracas - O líder opositor venezuelano Juan Guaidó convocou protestos em todo o país para terça-feira (12) contra o apagão que mantém a nação petroleira em colapso há quatro dias. O anúncio foi feito pelo autoproclamado presidente do país e líder legislativo durante um debate no Congresso de maioria opositora sobre um decreto que propôs para declarar "alerta nacional" pelo blecaute.

Ao justificar a medida, o opositor, de 35 anos, reconhecido como presidente interino por mais de 50 países, classificou a situação do país como "catástrofe", porque atinge a vida de pessoas já mergulhadas em sérias dificuldades por conta da crise econômica que assola a maioria dos venezuelanos.

Segundo Guaidó, além da falta de eletricidade em boa parte do país, já começa a faltar água e comida está apodrecendo. Ele acrescentou que os transportes e as comunicações estão interrompidas ou instáveis. "Não há normalidade na Venezuela e nós não vamos permitir que se normalize a tragédia (...), por isso o decreto", afirmou o líder da oposição, acrescentando que o que está acontecendo na Venezuela é "produto da corrupção e da imperícia do regime".

O autoproclamado presidente pediu "cooperação internacional" para superar a grave crise e determina a representantes diplomáticos que nomeou no exterior que coordenem o apoio internacional. Além disso, Guaidó solicitou aos militares e forças de segurança que não impeçam ou criem obstáculos para os protestos contra o apagão.

O apelo do opositor é mais um ato para pressionar o presidente Nicolás Maduro pela falta de energia elétrica que paralisa a Venezuela desde quinta-feira (7) e aflige a população à medida em que vai acabando a água e a comida. "Não podemos virar a cara para a tragédia que vive nosso país. Vou solicitar que seja decretado estado de emergência nacional", acrescentou o político.

Não há projeções sobre o alcance e as possibilidades da aplicação da "emergência nacional", num país onde Maduro tem o apoio das Forças Armadas e o controle de praticamente todas as instituições.

Para minimizar as consequências da crise elétrica, o governo prorrogou a suspensão de atividades de trabalho e escolares, que havia decretado na quinta-feira, quando começou o problema de fornecimento de energia, o pior registrado neste país de 30 milhões de habitantes e que atinge a capital e 22 dos 23 Estados.

A luz voltou por poucos momentos em algumas regiões, mas a crise continua. Na madrugada desta segunda-feira (11), uma estação elétrica entrou em pane em Caracas por causas desconhecidas, agravando a situação numa área onde foram registrados saques no domingo (10).

Muitas casas têm tanques de água porque sempre há racionamento na Venezuela, mas as bombas não funcionam sem luz. Em Caracas, moradores fazem fila para conseguir se abastecer nas fontes d'água aos pés da montanha Ávila. Por conta da situação, o governo vai começar a distribuir alimentos e água potável nas áreas mais carentes.

Os geradores de energia dos hospitais se concentram nas salas de emergência. Segundo a ONG Codevida, 15 doentes renais morreram por falta de tratamento, enquanto Guaidó afirma que outros 17 morreram em outros centros médicos. Até o momento, o governo sustenta que não há mortos.

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