Guaidó adverte que pressão contra Maduro está 'só começando'
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terça-feira, 05 de março de 2019
France Presse 
Caracas - O líder opositor venezuelano Juan Guaidó advertiu nesta terça-feira (5) que a pressão contra o governo de Nicolás Maduro está "só começando" e anunciou uma greve "escalonada" de funcionários públicos, um dia depois de seu desafiador retorno ao país, após ter burlado uma proibição de saída.
Autodeclarado presidente interino e reconhecido por mais de 50 países, Guaidó se reuniu com dirigentes sindicais apostando que os funcionários públicos apoiem os seus esforços para retirar Maduro do poder. "Achavam que a pressão máxima havia chegado. Saibam claramente que a pressão está só começando", lançou Guaidó após o encontro em Caracas. O também chefe do Parlamento conseguiu reativar os protestos e estreitar o cerco diplomático contra Maduro.
"Aqui está o presidente interino da Venezuela dando a cara aos trabalhadores, ao trabalho com dignidade, sem que lhe deem nada em troca", acrescentou Guaidó, que promove um "governo de transição e eleições livres".
Como parte da pressão com o presidente socialista, o legislador de 35 anos busca agora arrebatar-lhe o controle da burocracia estatal, que considera "sequestrada pelas chantagens e perseguições". Segundo Guaidó, os representantes dos trabalhadores lhe propuseram avançar para uma "greve escalonada na administração pública", embora não tenha dado detalhes.
Durante a era chavista, o setor público chegou a ter entre 4 milhões e 4,5 milhões de funcionários, mas essa cifra pode ter sido reduzida devido à grave crise econômica, que inclui uma contração do PIB de 50% desde 2014, hiperinflação e escassez de bens básicos.
Com o tom desafiador após a recepção na segunda-feira (4) em sua chegada a Caracas, Guaidó disse que o silêncio oficial diante do seu retorno mostra as contradições no círculo do "ditador", como se refere a Maduro. "Estão mergulhados em contradições. Não sabem como responder ao povo da Venezuela", disse Guaidó a jornalistas ao ser questionado sobre como explica não haver qualquer reação por parte do governo de Maduro ao seu retorno. Antes da sua volta a Caracas, Maduro havia declarado que Guaidó teria que encarar a Justiça por ter desrespeitado a proibição de saída do país.
Guaidó quer elevar a pressão interna para retirar Maduro, depois que o Grupo de Lima - composto pelo Canadá e por uma dúzia de países latino-americanos - descartou o seu apoio a uma intervenção militar, alternativa que o governo de Donald Trump mantém sobre a mesa. Para isso, pretende virar ao seu favor os funcionários públicos. Contudo, o governo conserva a sua influência em boa parte da cúpula sindical.
"A greve escalonada é uma proposta dos trabalhadores públicos para que nunca mais trabalhem para a ditadura", sustentou em entrevista coletiva, na qual anunciou uma lei para proteger os funcionários de eventuais demissões.
Da reunião nesta terça participaram sindicalistas petroleiros, das indústrias básicas, governações, prefeituras, hospitais e a banca pública, entre outros, disse à AFP a dirigente Ana Yánez. Os sindicatos ainda não anunciaram quando ou quais setores farão essas greves e acordaram se reunir nos dias seguintes com o Parlamento. "A administração pública está praticamente paralisada. Nas prefeituras vão trabalhar somente três vezes por semana e apenas meio período", comentou Yánez.
O salário mínimo na Venezuela é de 18.000 bolívares por mês (cerca de US$ 6), que apenas dá para dois quilos de carne, devido à hiperinflação que o FMI projetou em 10.000.000% para 2019.


