Gaza - Os grupos palestinos negociavam ontem os últimos detalhes de um acordo pelo qual poderão reconhecer, implicitamente, o Estado de Israel, e acabar com os enfrentamentos entre palestinos, cancelando assim o referendo convocado pelo presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas.
  Em caso de acordo, Abbas garantiu que suspenderá o referendo de 26 de julho sobre o denominado ‘‘entendimento nacional’’, considerado pelo movimento islâmico Hamas uma tentativa de sua expulsão do governo.
  O anúncio deste referendo, no início de junho, detonou os conflitos entre o partido Fatah de Abbas e o Hamas, que chegou ao poder no final de março após vitória esmagadora nas eleições legislativas de 25 de janeiro.
  A tensão na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, que lançou a ameaça semana passada de uma guerra civil, diminuiu quarta-feira passada com o início do ‘‘diálogo nacional’’ – o exame de uma série de propostas conciliadoras do Hamas e do Fatah.
  Abbas criticou a decisão da União Européia de voltar a ajudar o povo palestino, sem passar pelo governo de Hamas, dizendo que este continua comprometido com a trégua decretada em fevereiro de 2005.
  Tanto dirigentes do Fatah como do Hamas estão otimistas sobre a possibilidade de chegarem em breve a um acordo definitivo.
  Este documento dos prisioneiros, elaborado por líderes de várias facções palestinas detidos em Israel, defende o fim dos ataques contra Israel e a criação de um Estado palestino nos territórios ocupados em junho de 1967.
  O texto poderia representar o reconhecimento de fato de Israel pelos palestinos.
  Já o Quarteto para a paz no Oriente Médio aprovou sábado uma proposta européia sobre um mecanismo temporário para canalizar ajuda financeira aos palestinos, que sofrem com o corte na assistência fornecida pelo Ocidente, anunciaram seus porta-vozes.
  Uma nota do Quarteto disse esperar que outros doadores, como organismos internacionais e até mesmo Israel, considerem canalizar a ajuda por intermédio deste mecanismo. Quase toda a ajuda internacional aos territórios palestinos foi suspensa desde que o movimento Hamas assumiu o governo.
  Na nota, o Quarteto voltou a pedir à Autoridade Palestina que renuncie à violência, reconheça o direito a existir do Estado de Israel e aceite suas obrigações internacionais, como indica o plano de paz para a região, conhecido como o ‘‘Mapa do Caminho’’.

mockup