Grupos entram em confronto no Cairo e polícia intervém
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terça-feira, 13 de agosto de 2013
Folhapress 
São Paulo - Grupos de aliados e detratores do presidente deposto do Egito Mohamed Morsi entraram em confronto ontem no centro do Cairo, durante protesto dos islamitas contra a retirada do mandatário. A polícia teve que agir e disparou bombas de gás lacrimogêneo para separar a briga.
Os confrontos acontecem dois dias após o fim do prazo dado pelo governo interino para os islamitas desalojarem dois acampamentos na cidade, um na praça da Universidade do Cairo e outro em frente à mesquita de Rabia al Adawiya.
As áreas são ocupadas pelos aliados da Irmandade Muçulmana, à qual Morsi é vinculado, desde 3 de julho, quando o presidente foi retirado pelos militares. A queda do mandatário provocou uma forte crise política, que foram motivos de confrontos que deixaram cerca de 300 mortos.
Segundo testemunhas, a briga começou após um grupo de jovens liberais atirar pedras e garrafas de vidro contra os milhares de manifestantes islamitas, que seguiam em direção ao Ministério do Interior. Alguns dos agressores os chamaram de terroristas e disseram que não eram bem-vindos.
Os apoiadores de Morsi reagiram também lançando pedras. A polícia então disparou gás lacrimogêneo contra os manifestantes pró-Morsi, provocando uma correria. Mulheres e crianças fugiram em pânico, enquanto dois homens armados com punhais foram vistos perseguindo manifestantes.
Em seguida, os islamitas seguiram à praça de Mohamed Naguib, onde se juntaram com outros grupos de aliados a Morsi que seguiam a outros ministérios. Os manifestantes decidiram então voltar ao acampamento de Rabia al Adawiya.
Negociações
Os confrontos acontecem no mesmo dia em que o porta-voz da Irmandade Muçulmana, Gehad el-Haddad, disse à agência de notícias Reuters que a entidade está pronta para negociar o fim da crise política, após uma proposta da principal autoridade islâmica do país, a mesquita de Al Azhar.
No entanto, condicionou a discussão ao que chamou de "restauração da legitimidade constitucional", termo usado pelos islamitas para se referir à volta de Morsi ao poder. O movimento se negou a negociar com a administração interina mesmo com mediação internacional por considerar que sofreu um golpe de Estado.
Morsi está preso em um complexo militar, cuja localização não foi revelada, sem acesso a visita da família e de advogados. Desde então, ele recebeu apenas a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, há duas semanas, e uma delegação da União Africana.
Na ocasião, Ashton disse que o presidente deposto está bem de saúde e ciente da crise política provocada por sua retirada. A saída do mandatário islamita aconteceu após uma série de protestos contra seu governo, que enfrentava uma grave crise financeira e era criticado por tomar medidas autoritárias.


