Diminuíram ainda mais, ontem, as esperanças de se encontrar sobreviventes entre os 492 passageiros que estavam a bordo do ‘‘Luz do Oceano’’, naufragado anteontem. A embarcação estava superlotada de refugiados, que tentavam escapar da violência religiosa das Ilhas Molucas, na Indonésia.
Nenhum vestígio foi encontrado no mar, 24 horas depois do último contato por rádio com o barco, que lançou pedido de socorro e informou que estava com um problema nas máquinas. À deriva no mar agitado, o barco também estava fazendo água, segundo o último contato mantido com postos da guarda costeira em terra.
Segundo as autoridades marítimas, 492 pessoas se encontravam a bordo da embarcação, que tinha capacidade para apenas 270 pessoas. O ‘‘Luz do Oceano’’ fazia o transporte regular entre Tobelo (Molucas) e Manado (Célebes), no Nordeste da Indonésia, a mais de 2.200 km a Nordeste da capital Jacarta.
Quase 300 passageiros são oriundos de Duma, localidade da Ilha de Halmahera (Norte do arquipélago das Molucas) atacada em 19 de junho pelos ‘‘Laskar Jihad’’, milícias islâmicas.
A agência de Antara informou na ocasião que 114 pessoas morreram e outras 38 ficaram feridas a tiros ou por armas brancas. As fontes religiosas locais falaram de quase 200 vítimas fatais.
‘‘Só nos resta rezar e esperar que ninguém de nossa família estivesse a bordo’’, declarou em Antara uma mulher, também refugiada das Molucas.
Durante toda a noite de quinta-feira e a manhã de ontem, as buscas feitas por meia dúzia de barcos, três deles da marinha da Indonésia, foram infrutíferas. Segundo depoimento de autoridades da guarda costeira, ‘‘até o meio-dia de sexta-feira não encontramos nada’’. As autoridades informaram também que eram péssimas as condições do mar na região, com ondas de dois a três metros.
O conflito entre cristãos e muçulmanos nas Ilhas Molucas provocou a morte de pelo menos 4 mil pessoas desde janeiro de 1999. Segundo estimativas oficiais, cerca de 500 mil habitantes da região já fugiram para outras ilhas do arquipélago.
A violência dobrou no começo de junho, após a chegada de 2 mil a 3 mil militantes islâmicos que haviam recebido previamente treinamento militar na periferia de Jacarta.
Os representantes das comunidades cristãs (católicos e protestantes) fizeram na semana passada um apelo às Nações Unidas, para que seja realizada uma intervenção de uma força internacional que acabe com os massacres.
Pelo menos quatro pessoas se afogaram ontem, em outro naufrágio de um cargueiro perto do porto de Kendari (Sudeste da Indonésia). As más condições do tempo e o mar revolto podem ter provocado o acidente.

mockup