Grupos pró-palestinos conquistaram uma vitória ontem quando um fórum de direitos humanos paralelo à Conferência Contra o Racismo equiparou o sionismo ao racismo e pediu sanções internacionais contra Israel.
Mas grupos judeus, cristãos e de direitos humanos rejeitaram a resolução final do fórum, que foi apresentada à Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Mary Robinson, para ser incluída na declaração final da conferência das Nações Unidas.
Grupos pró-palestinos conquistaram efetivamente o apoio da maioria dos grupos, participando da conferência para se igualar o sionismo o movimento para estabelecer e manter um Estado judeu ao racismo. A ocupação israelense dos territórios palestinos também foi considerada colonialismo um forte rótulo político na maior parte do mundo.
O fórum foi promovido paralelamente à conferência mundial sobre racismo, que teve início na sexta-feira e se estende até o dia 7 de setembro.
Documentos do fórum classificam Israel como ''um Estado de apartheid racista'' e pedem o fim da ''perpetração sistemática por parte de Israel de crimes racistas, incluindo crimes de guerra, atos de genocídio e limpeza étnica''.
O fórum também recomendou à ONU que readote uma resolução considerando o sionismo uma forma de racismo, estabeleça um comitê para julgar os crimes de guerra israelenses e o completo isolamento de Israel como um Estado de apartheid.
O documento foi aprovado num acalorado encontro do fórum que teve início na noite de sábado e terminou na manhã de ontem.
Shawqi Issa, porta-voz do agrupamento árabe no fórum, disse que gostou do documento final. ''São apenas fatos. O governo israelense é um governo racista... e o governo israelense é um governo de apartheid. Esses são fatos, e podemos prová-los'', garantiu.
Robinson, que tem trabalhado para amenizar a controvérsia sobre a condenação de Israel na conferência mundial sobre racismo, criticou o documento, dizendo que lamentava que no texto se igualasse o sionismo ao racismo.
Os palestinos têm o direito de protestar pelo que estão sofrendo, mas ''não é apropriado que se produza um texto que faça nova vítima e cause feridas'', disse Robinson, que também é a secretária-geral da conferência da ONU.
O grupo Human Rights Watch condenou a resolução. ''Israel tem cometido sérios crimes contra o povo palestino, mas não é correto usar a palavra genocídio e é errado igualar sionismo ao racismo'', afirmou Reed Brody, o diretor do grupo baseado em Nova York.
Brody disse que a maior parte do documento do fórum era uma eloquente condenação do racismo e de práticas discriminatórias em muitos outros países no mundo, ''e é lamentável que o uso de linguagem inapropriada e destemperada possa obscurecer tudo isso''.
O presidente israelense Moshe Katsav, rejeitou veementemente as críticas, que para ele são ''uma palpável expressão de racismo e anti-semitismo''.
''Muitos daqueles vociferando na conferência de Durban deveriam abaixar suas cabeças ante o Estado de Israel devido à meticulosa maneira na qual todas essas instituições respeitam os direitos humanos'', afirmou.
Muitos grupos não gostaram que a questão palestina tenha obscurecido a conferência. Congressistas americanos disseram que a reunião deveria se concentrar mais no racismo, no colonialismo e na reparação por injustiças passadas. Eles denunciaram a decisão da administração Bush de não enviar o secretário de Estado Colin Powell à conferência devido às críticas a Israel nos documentos preparatórios da reunião, mas admitiram que a questão era problemática.
O chefe da delegação israelense na conferência da ONU afirmou que apesar de tentativas do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, e de Robinson de garantir que expressões semelhantes não acabem no documento oficial final da conferência, a delegação palestina trabalha para isso.
''Trata-se de uma tentativa de sequestrar a conferência, para fazê-la concentrar na crise israelense-palestina ao invés de focar no objetivo da conferência'', disse Mordechai Yadid. ''As deliberações continuam normalmente mas chegamos a um ponto em que temos de reconsiderar nossa participação, se devemos abandonar toda a conferência''.

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