Associated Press
De Erivan, Armênia
O comando armado que invadiu o Parlamento da Armênia na quarta-feira, em Erivan, matando o primeiro-ministro Vazguen Sarkissian e sete outros altos funcionários e políticos, rendeu-se ontem por volta das 10 horas (horário local), após o presidente Robert Kotcharyan ter-lhes prometido garantir sua integridade física e um julgamento justo. Como parte do acordo, antes da prisão um depoimento gravado do líder do grupo, o nacionalista radical e ex-jornalista Nairi Unanyan, foi transmitido em cadeia nacional de TV.
O Ministério da Defesa pediu a destituição do procurador-geral e dos ministros do Interior e da Segurança, por terem fracassado na garantia da segurança dos membros do governo e não terem evitado o massacre. Até ontem à noite apenas o ministro do Interior, Suren Abramian, havia se demitido. Sarkissian era quem de fato detinha o poder na Armênia. Tinha sido ministro da Defesa até o começo do ano e era admirado no meio militar por ter reerguido o Exército após a guerra contra o Azerbaijão (1988-1994).
Na declaração à TV, Unanyan afirmou que o objetivo do grupo era ‘‘salvar o país do colapso político e econômico’’ e sua intenção era apenas ‘‘assustar’’ os parlamentares e membros do gabinete, mas ‘‘teve de abrir fogo’’ para responder aos tiros dos seguranças. Entretanto, no dia do assalto, o próprio Unanyan dissera enfaticamente a uma emissora de TV que sua meta era matar o premier.
Às 10h30, o comando libertou os 41 reféns e meia hora depois seus cinco integrantes depuseram as armas e foram transportados num ônibus para o Ministério da Segurança, escoltado por veículos blindados.
Os cinco homens irromperam no Parlamento gritando que se tratava de um golpe de Estado, no momento em que o primeiro-ministro e membros do gabinete participavam de uma sessão. Quando Sarkissian fazia um discurso, Unanyan aproximou-se e disse: ‘‘Chega de beber nosso sangue.’’ O primeiro-ministro respondeu: ‘‘Tudo está sendo feito por vocês e o futuro de seus filhos.’’ Foi então que Unanyan abriu fogo.
Foram mortos ainda o presidente do Parlamento, o carismático Karen Demirchyan – aliado de Sarkissian e destacado líder do país nos tempos do domínio soviético –, os dois vice-presidentes da Casa, o ministro de Assuntos Operativos e três parlamentares. Sete deputados e funcionários do Parlamento estão feridos.
O premier e Demirchyan pertenciam à coalizão Unidade, vencedora das eleições legislativas de 30 de maio. Após essa vitória, o presidente convidou Sarkissian para formar o governo. Os dois vinham mantendo relações difíceis ultimamente, em especial pelo fato de Sarkissian opor-se a concessões ao Azerbaijão nas negociações sobre a região azerbaijana de Nagorno-Karabach, habitada majoritariamente por armênios. O território era armênio, mas os soviéticos o entregaram ao Azerbaijão nos anos 20. Os dois países estariam próximos de um acordo.
Analistas tacharam a ação do grupo de ato de protesto de pessoas insanas, sem vínculo com Nagorno-Karabakh, embora o território seja o principal motivo de especulações por ter sido a questão principal do país na década. A avaliação geral nos meios políticos, porém, é que a crise provocada pela morte de Sarkissian certamente levará ao esfriamento das negociações com o Azerbaijão.
Ex-república soviética, a Armênia tornou-se independente em 1991 e desde então sua economia permanece caótica, marcada pela destroçada estrutura estatal e tentativas malsucedidas de construir um sistema pró-Ocidente. A corrupção é generalizada e muitos funcionários governamentais são acusados de desviar dinheiro público.Matadores do premier Vasguen Sarkissian rendem-se após receber garantia de ‘julgamento justo’ do presidente Kotcharian
France PresseInsanidadeOs terroristas deixaram o Parlamento armênio e foram transportados num ônibus após libertar 41 reféns

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