São Paulo - O grupo islâmico egípcio Irmandade Muçulmana declarou ontem temer que a decisão judicial que dissolveu o Parlamento, anteontem, e a liberação do ex-premiê do ditador Hosni Mubarak, Ahmed Shafiq, revertam os ''ganhos da revolução'' no país árabe, iniciada em fevereiro de 2011.
O grupo, que tinha a maioria no Parlamento dissolvido, afirmou que a decisão levará ''a dias mais perigosos que sob o domínio do regime de Mubarak''. Anteontem, o grupo havia dito que o veredicto da Justiça era a entrada do Egito em ''um túnel escuro''.
''Se o Parlamento for dissolvido, o país entrará em um túnel escuro. O presidente eleito não terá que respeitar um Parlamento nem uma Consituição'', disse Esam el Erian, o vice-presidente do Partido Liberdade e Justiça, braço político da Irmandade. ''Há um estado de confusão e muitas questões estão no ar''.
O candidato do partido, Mohammed Mursi, respeitou a decisão judicial, mas não concordou com a presença de Shafiq no pleito. Afirmando que o povo egípcio ''se opõe firmemente às tentativas de retorno ao cenário político dos pilares do antigo regime'', ele se disse convencido de que a ''rejeição popular é muito mais forte do que a rejeição legal'', referindo-se ao adversário.

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