Grupo se prepara para um dos encontros mais importantes
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segunda-feira, 04 de julho de 2005
João Caminoto<br> Agência Estado 
Londres - Desde sua primeira edição em 1975 na cidade francesa de Rambouillet poucas vezes um encontro do clube dos países mais ricos gerou tanta expectativa na opinião pública mundial como o que acontecerá entre 6 e 8 no hotel Gleneagles, situado em uma belíssima região do interior da Escócia. Geralmente dominados por temas geopolíticos, macroeconômicos ou mais recentemente no terrorismo, esta reunião do G-8 (o antigo G-7 mais a Rússia), comandada pelo primeiro-ministro britânico, Tony Blair, pretende entrar para a história como um marco de ações concretas para o fortalecimento do combate à pobreza na África e de ações para conter a mudança climática no planeta.
Os concertos Live8, promovidos no sábado passado pelo músico e ativista Bob Geldof nas capitais dos países do G-8, que atraíram multidões e que receberam a adesão de dezenas de milhões de pessoas, e as manifestações programadas em diversas cidades do mundo nesta semana mostram que a agenda do G-8, após alguns poucos anos de trégua com o declínio dos protestos antiglobalização, voltou a mobilizar a opinião pública.
Mas os sinais até o momento aconselham cautela com os resultados de Gleneagles. Avanços deverão ocorrer, mas eles ficarão aquém do esperado. ''Acredito que poderemos ter resultados concretos positivos para mostrar ao mundo nesta semana, mas eles ainda não estão garantidos'', disse o principal negociador britânico e coordenador dos documentos finais do encontro do G-8, o subsecretário de Relações Exterior Michael Jay.
Jay descreveu as negociações para formatar os comunicados oficiais do G-8 como ''muito intensas''. O tema que mais divide os países ricos é como tratar o controle da emissão de gases carbônicos para evitar o efeito estufa. Os países do G-8, somados, representam 65% do PIB mundial e 47% das emissões. O governo norte-americano, além de reiterar sua oposição ao Protocolo de Kyoto, vinha insistindo que os dados científicos disponíveis não são suficientes para justificar compromissos para o controle ambiental e que os grandes países em desenvolvimento, como a Índia e China, também precisam participar desse esforço.
Blair, ansioso para mostrar aos britânicos que seu apoio incondicional à Casa Branca na guerra contra o Iraque começa a render frutos, tem pressionado o presidente George W Bush a adotar uma postura mais moderada. Nos últimos dias, surgiram indícios de que os Estados Unidos poderiam aceitar uma posição que reconhece o problema, acenando com compromissos futuros no controle das emissões, embora de forma vaga.


