A poucas horas do início do decisivo teste para a construção do escudo antimísseis norte-americano, que deveria começar às 22h01 (23h01 de Brasília) de ontem, ativistas antinucleares ameaçavam empreender ações para impedir a realização da prova.
Um grupo de pacifistas ameaçava invadir a base militar de Vandenberg, na Califórnia, de onde partiria o míssil Minuteman II, alvo do projétil antimíssil que seria lançado 20 minutos depois do Atol Kwajalen, uma base naval americana no Pacífico Sul, a 6.900 quilômetros de distância.
Além disso, a organização ambientalista Greenpeace anuncia que manterá um de seus barcos numa região do Pacífico considerada como área de risco.
A Força Aérea dos EUA pediu a aviões e barcos que evitassem a área entre o período de início da prova até as 2h01 da madrugada de hoje em Washington (3h01 de Brasília) – horário previsto para o fim do teste –, mas ressaltou que o lançamento dos mísseis ocorreria mesmo que a região não estivesse livre de embarcações.
Se o projétil antimíssil, que vem sendo chamado de ‘‘veículo matador exoatmosférico’’ interceptar o Minuteman, explodindo-o sobre o Oceano Pacífico, o teste – que custou US$ 100 milhões aos contribuintes norte-americanos – será considerado bem-sucedido.
Uma prova semelhante foi considerada um êxito em outubro, mas, em janeiro, o escudo apresentou falhas. O ‘‘matador’’ interceptou um balão lançado junto com o míssil de ataque justamente com a finalidade de ‘‘enganar’’ o sistema de defesa.
O escudo antimísseis é uma variação do projeto Guerra nas Estrelas, proposto pelos republicanos durante a administração de Ronald Reagan. A diferença é que, ao contrário de instalar os mísseis interceptadores na órbita terrestre, como previa o projeto original, a bateria de veículos ‘‘matadores’’ estará baseada em terra, provavelmente no Alasca.
Estima-se que o custo total do sistema superará os US$ 60 bilhões. Se começar a ser construído no ano que vem - já sob a administração do sucessor do presidente Bill Clinton -, deverá estar pronto em 2005.
Mas potências estrangeiras, principalmente Rússia e China, prometem abandonar tratados de desarmamento, caso os EUA insistam em construir o escudo. Segundo eles, o projeto viola o Tratado de Mísseis Antibalísticos (ABM, pelas iniciais em inglês), firmado em 1972, e deve desatar uma nova corrida armamentista.

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