Grupo executa 36 sikhs em Caxemira
France Presse
De Chadisinghpura
Trinta e seis sikhs foram mortos na porção indiana da Caxemira horas antes do início da viagem oficial do presidente americano Bill Clinton à Índia. O massacre põe mais uma vez em evidência a explosiva situação nesta região disputada pela Índia e Paquistão.
A matança aconteceu no povoado de Chadisinghpura, 70 km ao sul de Srinagar, capital de verão do Estado. De acordo com a polícia indiana os responsáveis pelos assassinatos são militantes muçulmanos.
Trinta homens armados de fuzis de assalto e granadas obrigaram os habitantes a se reunir no centro do povoado de maioria sikh. Eles separaram as mulheres e crianças e dispararam contra os homens. Trinta e quatro sikhs, entre eles dois adolescentes, morreram na hora; outros dois não resistiram aos ferimentos e morreram logo depois.
Segundo o chefe de polícia da Caxemira, Gurbachan Jagat, os assassinos usavam uniformes do exército indiano, falavam urdu (língua oficial do Paquistão) e disseram aos moradores que estavam procurando rebeldes. É a primeira vez que os sikhs, pequena minoria no Estado de maioria muçulmana mas 90% da população do povoado atacado, são alvo de um ataque do gênero. O massacre parece ter sido cometido para chamar a atenção internacional sobre a Caxemira durante a visita do presidente americano Bill Cllinton.
A Casa Branca condenou rapidamente a matança. Da parte do presidente e de todos os americanos, estamos escandalizados pelo ataque contra um povoado da Caxemira ontem à noite, disse o porta-voz Joe Lockhart. O presidente indiano K.R. Narayan afirmou que se tratava de um novo exemplo ignóbil do terrorismo internacional.
O ministro indiano do Interior, L.K. Advani, disse que o massacre era uma tentativa deliberada dos militantes islâmicos de prosseguir uma purificação étnica na Caxemira e de provocar a fuga da comunidade sikh da região, de onde mais de 200.000 hindus fugiram desde 1989. Mas o ataque foi condenado pelo chefe religioso dos muçulmanos da Caxemira, Omar Faruq. Ele disse a AFP que a matança era uma provocação das forças de segurança indianas.
No Paquistão, o chefe do grupo de guerrilha islamita Hizbul Mujahideen, Syed Salahuddin Ahmad, também condenou o massacre. Ele disse que os serviços de inteligência indianos cometeram os assassinatos para prejudicar a luta dos moradores da Caxemira pela liberdade.
A Índia acusa o Paquistão de apoiar e armar os militantes muçulmanos, o que Islamabad desmente. Os dois países se enfrentaram em três guerras desde a independência, duas delas por causa da Cachemira. A Índia administra dois terços do território e o Paquistão um terço, a região mais ao norte.





