Cuzco, Peru – A declaração final da XVII reunião de cúpula do Grupo do Rio, que será assinada hoje por dez presidentes, faz um apelo urgente ao fortalecimento dos partidos políticos na América Latina e no Caribe, como forma de apoiar as democracias. O documento, ao qual a AFP teve acesso, conhecido como Consenso de Cuzco, reconhece a fragilidade das democracias latino-americanas, ameaçadas pela pobreza crescente e a estagnação econômica.
  ‘‘O aumento e o agravamento da pobreza, em decorrência de um novo período de estagnação prolongada, constituem ameaça fundamental à governabilidade democrática’’, destaca o texto.
  Os presidentes admitem, inclusive, as carências e deficiências das democracias na região. ‘‘No momento atual só as democracias com altos níveis de governabilidade podem atender as legítimas exigências que fazem nossos povos do sistema democrático’’, ressaltaram.
  Na declaração, os presidentes também defendem o fortalecimento dos partidos políticos como forma de combater as tentações autoritárias e caudilhescas do passado.
  ‘‘Não há democracia sem partidos políticos, nem partidos sem democracia’’, destacam, sem fazer alusão a nenhuma situação específica na região. Os 19 países se comprometem a estabelecer espaços para o diálogo e o consenso entre o governo e a oposição, representada por seus partidos ou movimentos.
  Também pediram o ‘‘reforço ao direito de informação e de resposta, incluindo os partidos de oposição’’.
  Os presidentes e representantes dos 19 parceiros do maior grupo de ação política regional convidaram o Parlamento Latino-Americano e os parlamentos sub-regionais a desenvolverem e consolidarem instâncias de cooperação entre os partidos e grupos humanitários que zelam pelo respeito à democracia e aos direitos humanos.
Inauguração – O presidente peruano, Alejandro Toledo, inaugurou ontem a XVII reunião de Chefes de Estado do Grupo do Rio, que termina hoje, em Cuzco, a antiga capital do império Inca. Ao inaugurar a cúpula, o presidente peruano disse, diante de nove de seus colegas da América Latina, que ‘‘a pobreza e a corrupção ameaçam a governabilidade democrática da região’’.
  ‘‘E a crise de governabilidade significa a redução drástica dos fluxos de investentos privados e públicos’’, acrescentou Toledo, que admitiu que existem ‘‘expectativas sociais contidas em nossos países’’.
Encontro Lula-Bush – O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, viajará para Washington para se reunir com seu colega americano, George W. Bush, no dia 20 de junho, informou ontem a chancelaria brasileira.
  No encontro, que acontecerá a pedido de Bush, os dois presidentes discutirão assuntos bilaterais, além de outros temas de interesse global e regional, afirma o comunicado.
  Esta será a segunda vez que os dois presidentes se encontrarão na capital americana.

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