São Paulo - O grupo mais importante de líderes religiosos do Irã considerou ilegítimos a disputa presidencial no Irã e o governo de Mahmoud Ahmadinejad, eleito no último dia 12 em uma disputa polêmica devido às acusações de fraude pela oposição. Reportagem do jornal The New York Times informa que esse é o primeiro desafio ao líder supremo do país e aponta para um forte racha entre a cúpula religiosa.
A Associação de Pesquisadores e Professores de Qum representa um significativo apoio ao governo e, especialmente, à autoridade do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei - máxima autoridade política do país, com poder, inclusive, de nomear o presidente. Após a vitória de Ahmadinejad, contestada pela oposição, o aiatolá apoiou o resultado das urnas e deu sua aprovação à reeleição do presidente.
O governo tem se esforçado para acusar a oposição e seu principal líder, o candidato à Presidência Mir Hussein Mousavi, como criminosos e traidores.
''Essa quebra religiosa e o fato de eles estarem se aliando ao povo e a Mousavi são, no meu ponto de vista, o racha mais marcante da história em mais de 30 anos da República Islâmica'', afirmou Abbas Milani, diretor do programa de estudos iranianos da Universidade de Stanford. ''É válido lembrar que o grupo está indo contra uma eleição verificada e santificada por Khamenei.''
Em meio aos primeiros protestos, o líder supremo do Irã endossou a vitória de Ahmadinejad e ordenou o fim das manifestações sob ameaça de repressão. Houve episódios de violência nas ruas e prisões feitas durante as manifestações. No total, 20 pessoas morreram e 1.032 foram detidas, segundo dados oficiais.
A fraude nessas urnas poderia ter afetado 3 milhões de votos, número menor que a vantagem de 11 milhões de votos de Ahmadinejad sobre o segundo colocado.
Após uma recontagem de aproximadamente 10% dos votos, o Conselho confirmou, na última segunda-feira, os resultados da eleição que deram a vitória ao presidente.
Em nota divulgada ontem, a Associação pede para que os resultados das urnas sejam jogados fora. Além disso, os religiosos criticam o Conselho por falhar em recontar os votos e verificar as denúncias de fraude e desqualificam o governo por usar a força para reprimir os protestos.

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