Grupo de cientistas quer estudar ovnis
Pela primeira vez em sua história, o respeitado jornal norte-americano Washington Post abriu espaço, na edição de ontem, para o assunto ufologia. Deu página inteira com a síntese de um relatório de cientistas norte-americanos e europeus que estudaram os avistamentos de ovnis (objetos voadores não identificados) nos últimos 30 anos.
Alguns registros de avistamentos de ovnis merecem um estudo mais aprofundado, afirma o relatório dos cientistas, embora não existam ainda evidências de homenzinhos verdes lá no espaço. A conclusão final do relatório é de que a ciência negligenciou esse estudo, apesar da existência de numerosos relatórios de avistamentos e do interesse público no assunto.
O líder do grupo de especialistas que discutiu o assunto durante um painel de vários dias foi o físico Peter Sturrock, da Universidade de Stanford. Seria muito importante estudar os relatórios de ovnis com cuidado e interesse para conseguir informações sobre um fenômeno atualmente ignorado pela ciência, ele afirmou. O fenômeno ovni não é simples e não parece existir uma resposta única, universal para ele.
Nove cientistas de instituições como o Observatório de Altas Altitudes, de Boulder, Colorado, Universidade do Novo México e Universidade de Bordeaux, França, examinaram com cuidado desde evidências mostradas em fotos de ovnis até relatórios de policiais, como o de um deles que teve seu carro-patrulha totalmente imobilizado por um objeto voador que emitia luzes fortes e coloridas.
Está claro que pelo menos alguns relatórios envolvem incidentes que podem estar relacionados com fenômenos raros, porém significativos, como atividade elétrica muito intensa e estranhas leituras em aparelhos de radar, afirma o relatório (colocado na Internet no endereço www.jse.com).
O relatório texto afirma, também, que os cientistas não estão convencidos de que esses fenômenos, que envolvem processos físicos desconhecidos, estejam relacionados com alguma espécie de inteligência extraterrestre. Eles preferem a hipótese de que sejam fenômenos relacionados a experiências militares secretas.
O professor Van Eshleman, especialista em atmosferas de outros planetas, participante do painel, admitiu, que com o relatório, corremos o risco de ser considerados ridículos, mas estamos abrindo uma Caixa de Pandora; eu sou um professor emérito e não me preocupo com isso.
As evidências são poucas, afirma o relatório, mas isso, segundo os cientistas, em virtude da falta de recursos e de interesse científico em realizar pesquisas sérias.
O interessante é que essa conclusão é a mesma do prof. Alexander Hynek, que na década de 60 foi nomeado investigador oficial do governo norte-americano para a ufologia. Hynek dirigiu um projeto secreto chamado Livro Azul e chegou à conclusão de que os ovnis são um fenômeno real e importante, ao qual se deveriam dedicar mais verbas, mais recursos e mais interesse científico.
Nos últimos 50 anos, diz o relatório dos cientistas publicado pelo Washington Post, as pessoas por todo o mundo se familiarizaram com as notícias e relatórios de avistamentos de ovnis. Esses avistamentos foram atribuídos a uma ampla série de causas, como aeronaves secretas, meteoros, estrelas, alucinações, balões meteorológicos, planetas e muitas outras. Apesar disso e do grande interesse por parte das pessoas, a comunidade científica mostrou um interesse insignificante a respeito do assunto.
Isso acontece porque, segundo o relatório do grupo, os cientistas acham que os avistamentos de ovnis têm mais relação com a psicologia do que com a ciência. O grupo revelou a decisão da Agência Espacial Francesa de destinar mais verbas e recursos ao estudo da ufologia e sugeriu que outros órgãos governamentais ou privados façam o mesmo.
Entre os casos mais expressivos estudados pelo painel de cientistas está um avistamento fotografado por turistas canadenses em 1984 na Columbia Britânica, mostrando claramento um disco voador, e outro em 1956, quando os pilotos de dois jatos da Força Aérea Canadense avistaram e fotografaram um desconhecido objeto voador a pouca distância de seus jatos Sabre F-86.
Ainda a respeito do relatório e da falta de credibilidade do assunto entre os cientistas, o professor Van Eshleman lembrou que a história da ciência tem inúmeros casos em que coisas importantes foram ridicularizadas e afastadas como sendo sem importância, como simples folclore. Ele lembrou que o presidente Thomas Jefferson não acreditava em meteoritos, e disse a respeito deles: prefiro acreditar que dois professores ianques possam mentir que acreditar que pedras possam cair do céu.Arquivo FolhaCientistas chegam
à conclusão que
alguns casos
justificam estudoEduardo Castor Borgonovi
Agência Estado





