Acossado pela crise política, o governo peruano relegou a segundo plano uma greve nacional de caminhoneiros e motoristas de ônibus interestaduais, cujos efeitos já começam a ser sentidos em Lima e se tranformam num componente a mais de descontentamento popular com o regime do presidente Alberto Fujimori. Os grevistas bloqueiam as principais estradas do país desde quarta-feira. Como consequência, boa parte dos postos de gasolina da capital está desabastecida, os preços dos alimentos nos mercados estão subindo e centenas de pessoas esperam, com passagens nas mãos, a chegada dos ônibus ao terminal rodoviário.
Os caminhoneiros reclamam principalmente a suspensão da importação de caminhões e ônibus usados, a redução do imposto sobre combustíveis e ações governamentais que combatam a informalidade do setor. O representante do governo nas negociações com os grevistas é o ministro dos Transportes, Augusto Bedoya, que, no sábado, manteve uma reunião de seis horas com os sindicalistas do setor. Até anteontem à noite, porém, o governo não tinha respondido a nenhuma das propostas feitas na reunião. ‘‘A situação continua indefinida por causa da intransigência e do descaso do governo’’, disse o presidente do Sindicato Nacional de Motoristas Donos de Caminhões, Alfonso Rivas Ruiz. ‘‘Essa posição do governo tem feito com que o movimento cresça ainda mais e manteremos a greve até consigamos uma resposta satisfatória.’’
Como resultado da greve, os preços dos produtos no Mercado Atacadista de Lima dispararam. O limão, que nesta época do ano é vendido por 1,80 sóis (cerca de R$ 0,90) o quilo, alcançava ontem o preço de 3,80 sóis (quase R$ 2,00). Também subiu o preço da ervilha, cebola, batata, cenoura e milho, produzidos em regiões do país mais distantes de Lima.

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