Greve pára Venezuela por 12 horas
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terça-feira, 11 de dezembro de 2001
France Presse de Caracas 
A primeira greve nacional na Venezuela contra os três anos de governo do presidente Hugo Chávez teve início às 6 horas locais (8 horas de Brasília), com uma duração prevista de 12 horas, conforme o estabelecido pelo empresariado, com o apoio da maior central operária do país, a Confederação de Trabalhadores da Venezuela (CTV).
A paralisação foi convocada pela Fedecámaras em protesto a um pacote de 49 leis decretadas por Chávez e anunciadas ao país no dia 13 de novembro, quando expirava o prazo de um ano dos poderes especiais que lhe foram concedidos pela Assembléia Nacional.
Os empresários acham que as leis impõem uma economia planificada e centralista em oposição às economias abertas e ocidentais. Na quarta-feira passada, a convocação de greve obteve o apoio da CTV, o que atribuiu um caráter nacional ao protesto, algo inédito nos 43 anos de democracia na Venezuela.
As leis mais criticadas são as referentes aos combustíveis, terras e pesca. Na véspera, Chávez, que nos últimos dias suavizou o tom pedindo união e diálogo, alertou: ''Se me levarem a uma situação extrema, se essas minorias privilegiadas tentarem alterar o processo democrático, terei de adotar medidas muito duras''.
Com mais de 1 milhão de grandes e pequenas empresas filiadas em Fedecámaras, o setor privado emprega cerca de 7 milhões dos mais de 11 milhões de pessoas que formam a população economicamente ativa da Venezuela e a CTV agrupa 1,6 milhão de trabalhadores, com influência nos 1,3 milhão que formam o setor público.
Ontem na Venezuela só circulam os jornais Ultimas Noticias e El Mundo, da rede capriles, pois os empresários da imprensa agrupados no Bloco da Imprensa Venezuelana aderiram à greve. Também não trabalharam os bancos nem a Bolsa de Caracas. O presidente da CTV, o social-democrata Carlos Ortega garantiu a adesão dos trabalhadores da saúde e dos petroleiros, dos quais é líder. Já os aeroportos funcionaram normalmente.


