Nova York, EUA - Pela primeira vez, em 25 anos, Nova York acordou nesta terça-feira sem transporte público, devido a uma greve que fez com que dezenas de milhares de pessoas cruzassem a pé a ponte do Brooklyn, sob um frio intenso. As principais vias ficaram congestionadas.
Pouco antes da meia-noite, os representantes dos trabalhadores rejeitaram o último acordo oferecido pela Autoridade Metropolitana de Transporte (MTA), e decidiram entrar em greve, em um desafio aberto à lei do Estado de Nova York, que proíbe os funcionários de adotar esse tipo de medida.
A greve ameaça afetar os mais de 7 milhões de usuários diários do sistema de transporte; segundo o plano de emergência decretado pelas autoridades, apenas poderão circular em Manhattan os carros com mais de quatro ocupantes. Os táxis foram autorizados a rodar com até quatro passageiros independentes, mas os que não os conseguiram tiveram que caminhar ou recorrer à bicicleta ou aos patins nesta manhã gélida, com temperatura de 6 graus negativos.
O prefeito Michael Bloomberg passou a noite no centro de emergência criado pelas autoridades no Brooklyn, e de manhã cruzou a pé a ponte que liga a região a Manhattan, como fez seu antecessor Edward Koch em 1980, nas mesmas circunstâncias.
Bloomberg classificou a greve de ''ilegal'' e ''moralmente censurável'' em um comunicado, e apelou para a paciência e coragem dos cidadãos. ''Precisaremos ser pacientes, ponderados e flexíveis. Não podemos deixar que os inconvenientes, por maiores que sejam, detenham nossa economia, fechem nossas escolas ou coloquem em risco nossa segurança pública'', disse o prefeito.
As negociações entre o sindicato de 33.700 trabalhadores e a autoridade de transporte chegaram a ser paralisadas em várias ocasiões, enquanto as partes tentavam evitar uma greve que custará à cidade 400 milhões de dólares por dia. As negociações sobre salário, pensões e seguro-saúde encontram um enorme obstáculo na insistência da autoridade de transporte de Nova York em que a idade mínima de aposentadoria suba de 55 para 62 anos.
Autoridades municipais estimam que a greve geral do transporte público custará entre 400 milhões e 600 milhões de dólares diários à cidade, cifra que inclui os impostos não recolhidos, as horas extras dos policiais (10 milhões por dia) e a queda nas vendas do comércio em plena temporada de Natal.
A última greve do transporte público em Nova York havia sido em 1980. Durou 11 dias, custou aos setores público e privado cerca de 1 bilhão de dólares, e levou o então prefeito Ed Koch a comparar o caos criado ao que Londres viveu com os bombardeios alemães durante a Segunda Guerra Mundial.

mockup