A alta adesão dos funcionários das empresas de transporte de passageiros, o lançamento de uma bomba caseira contra a sede do partido do ministro Domingo Cavallo e a chuva torrencial marcaram o começo da greve geral de 24 horas convocada por duas centrais de trabalhadores para repudiar a política econômica do governo argentino. Além da paralisação, as entidades promoveram uma passeata, partindo da praça do Congresso até a Praça de Maio (em frente ao Palácio do Governo), com um ato público de repúdio às medidas econômicas que prevêem grandes cortes orçamentários.
Uma bomba caseira explodiu, ontem de madrugada em Buenos Aires, em frente à sede do partido Ação pela República, que apóia o ministro da Economia Domingo Cavallo, provocando prejuízos, mas sem fazer vítimas, informou a polícia. No local, apareceram panfletos de uma organização denominada Comando Rodolfo Walsh, parecido com o que aconteceu na segunda-feira passada num protesto em frente da Fundação de Pesquisas Econômicas Latino-americanas (Fiel), entidade privada do ex-ministro da Economia, Ricardo López Murphy.
A maioria dos quase 50 mil táxis de Buenos Aires transitou normalmente pelas ruas da cidade. O metrô e os trens urbanos funcionaram com frequências maiores do que as normais. Até o fim da tarde de ontem, não houve registro de violência na capital.
Nas províncias de Nelquém e La Plata foram registrados atos de vandalismo, com quebradeira de vitrines de lojas e bancos, que funcionavam normalmente. De acordo com os organizadores da greve de 24 horas, nessas cidades houve uma adesão de quase 50% dos trabalhadores. Os vôos internacionais estão sofrendo algumas modificações por causa da paralisação do transporte coletivo. Os bancos e organizações públicas também paralisaram suas atividades em Buenos Aires. Não houve coleta de lixo à noite e os hospitais só atenderam a casos de emergência. As aulas em escolas públicas foram suspensas, mas os colégios particulares funcionaram quase normalmente. A Universidade de Buenos Aires (UBA) também suspendeu as atividades. Nos bairros residenciais, próximos ao centro da capital, o comércio parecia em atividade normal.
- Outras notícias sobre a crise econômica na Argentina na Folha Economia

mockup