Greve pára capital boliviana
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 29 de setembro de 2003
France Presse 
La Paz La Paz entrou em colapso na manhã de ontem ante uma passeata de milhares de vendedores ambulantes, no primeiro dia da greve por tempo indeterminado convocada pela Central Operária da Bolívia (COB) em protesto contra a venda de gás sem consulta popular. A poderosa organização sindical dos comerciantes ambulantes, que somente em La Paz conta com 500.000 subempregados, ocupou as principais avenidas da capital, cujos centros de abastecimento também fecharam suas portas em rejeição aos planos do governo de Gonzalo Sánchez de Lozada de exportar gás.
''Nada para o Chile, o gás é dos bolivianos'', afirmou um dirigente sindical à AFP, enquanto utilizava um megafone para incentivar o protesto. Aos gritos de ''Goni (como é conhecido popularmente o mandatário), ratero (ladrão), o gás não se vende'' e ''Se Goni quer prata (dinheiro), que venda sua mulher'', milhares de vendedores ocuparam ruas e avenidas próximas do Palácio Quemado (presidencial), fortemente protegido pela Polícia Militar.
Professores A Federação de Professores Urbanos de La Paz convocou uma paralisação hoje, em protesto contra os planos do governo de vender gás para e pelo Chile sem fazer antes uma consulta popular.
Bloqueio Ontem, o bloqueio às estradas do altiplano andino da Bolívia completou quinze dias e as atividades praticamente retornaram à normalidade no restante do país.
''Convocamos a classe a parar as aulas e se mobilizar, preparando nossa adesão à greve geral por tempo indefinido da Central Trabalhadora da Bolívia (COB)'', afirmou um porta-voz dos professores.
A COB convocou uma greve geral para ontem, reafirmando o pedido para que o presidente Gonzalo Sánchez de Lozada renuncie ao poder. Em resposta, La Paz parou ontem pela manhã devido à passeata de milhares de vendedores.
A poderosa organização do sindicato dos comerciantes, que reúne 500 mil filiados apenas na capital, tomou as principais avenidas da cidade.
O ministro da Educação, Hugo Carvajal, disse para os professores ignorarem seus sindicatos e ameaçou descontar os dias não trabalhados.
Não se acredita que o apelo, nem a ameaça do ministro, possam evitar a deflagração da nova greve.


