Greve na Bolívia fecha fronteira com Brasil
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sexta-feira, 08 de setembro de 2006
Das agências 
Santa Cruz de La Sierra - O presidente boliviano, Evo Morales, enfrentou ontem uma forte ação grevista organizada por forças de oposição que bloquearam com barricadas quatro importantes regiões da Bolívia, em protestos que fecharam passagens de fronteira com Brasil e Argentina e deixaram ao menos dez feridos.
A greve convocada por organizações cívicas e empresariais, partidos de direita e governos de Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando, ligados a grupos conservadores, paralisou parcialmente as quatro cidades, marcando o pior momento de Morales em sete meses de gestão.
Grupos de opositores e manifestantes pró-governo protagonizaram duros choques verbais e agressões mútuas que obrigaram a polícia a utilizar bombas de gás lacrimogêneo nas quatro localidades em greve. Ao menos dez pessoas ficaram feridas, segundo a mídia boliviana. O governo definiu a paralisação como ''parcial, armada e violenta''.
As pontes da Amizade e Internacional que unem o Departamento boliviano de Pando (extremo-norte) com a cidade de Brasiléia, no Acre, e outras pequenas localidades do Brasil foram tomadas por opositores do governo, disse por telefone o comandante da unidade policial, coronel José Luis Centellas.
No extremo-sul do país, em Tarija, os manifestantes cortaram a passagem a Argentina em San José de Pocitos, confirmou a ministra de Governo (Interior), Alicia Munoz, que lamentou que a suspensão das atividades ''seja imposta, armada, com violência e pressão'' por grupos de ''sicários''.
Um conjunto de comitês cívicos e governos ligados a Quiroga, que perdeu as eleições presidenciais para Morales por uma diferença de 54% a 28%, convocou o protesto contra as supostas tentativas de Morales de ter hegemonia na Assembléia Constituinte, onde dispõe de maioria.
O ex-presidente controla quatro de nove regiões da Bolívia. Morales, primeiro índio a ocupar o cargo de presidente em 181 anos de vida republicana, disse que a atitude de alguns ''setores que tentam marginalizar, de excluir, de odiar, de desprezar, tem de terminar''.


