Greve na Argentina tem ampla adesão
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sexta-feira, 09 de junho de 2000
France Presse De Buenos Aires 
Ampla adesão foi registrada ontem à greve geral contra o ajuste econômico decretado pelo governo do presidente Fernando De la Rúa. Em declarações à imprensa, De la Rúa reconheceu a magnitude do protesto, mas considerou que não influenciará em nada, pois o protesto é tão amplo como desnecessário e inútil.
Pouco antes, o ministro do Interior, Federico Storani, classificou de importante a paralisão de 24 horas, estimando em 60% de adesão dos trabalhadores.
Segundo Storani, a paralisação de ontem é maior que a de 5 de maio, a primeira realizada durante o governo do presidente Fernando De la Rúa, que assumiu no começo de dezembro, e atribuiu a maior adesão à participação, ontem, de três centrais sindicais.
Disse que foram registrados incidentes menores, mas que também houve ataques com armas de fogo contra três ônibus na cidade de Paraná, e que até o meio-dia foram detidas 50 pessoas.
Já Hugo Moyano, líder do setor mais duro da Confederação Geral do Trabalho (CGT) e organizador inicial do protesto, calculou que 91,5% dos trabalhadores se somaram ao protesto contra o plano de austeridade envolvendo o corte orçamentário de 938 milhões de dólares do governo, e que incluiu um corte salarial para 140.000 funcionários públicos.
É um grito das entranhas do povo, proclamou eufórico Moyano em coletiva à imprensa, na companhia de vários líderes sindicais.
Em Buenos Aires, a paralisação afetou muito os transportes públicos, inclusive a rede ferroviária. O aeroporto doméstico de Buenos Aires teve reduzida à metade seus 120 vôos diários, admitiu Alejandro Lotito, assessor de imprensa da Aerolíneas Argentinas.
Já no aeroporto internacional, apenas 30 dos 700 funcionários foram trabalhar, e os vôos estão demorando muito ou simplesmente não são atendidos pelo pessoal, disse Lotito.
O serviço de metrô circula em situação de emergência e o serviço de táxi é quase inexistente. No cinturão industrial de Buenos Aires, o nível de adesão ao protesto era superior a 50%, admitiu o presidente da Associação de Industriais da área, Julio Massara. Os bancos abriram as portas, mas foi mínimo o movimento de clientes.


