Roma - As três grandes centrais sindicais da Itália convocaram para hoje uma greve geral de quatro horas em protesto contra a política social e econômica do primeiro-ministro Silvio Berlusconi. Os trabalhadores do setor público, industrial, correios, bancos, transportes, comércio, turismo e de educação deixarão de trabalhar em todo o país contra a reforma do sistema previdenciário decidida pelo governo de centro-direita.
Esta greve, convocada pela CGIL (esquerda), CISL (católica) e UIL (moderados), contará com o apoio do sindicato de base (CUB, extrema-esquerda). Duas regiões, entre eles Lazio, onde se encontra Roma, e Sicília, decidiram por uma greve de oito horas.
Várias passeatas e concentrações foram programadas em diversas cidades. Os colégios públicos, bancos e correios não abrirão suas portas durante todo o dia, enquanto o transporte urbano sofrerá interrupções das 8 horas GMT (5 horas de Brasília) até às 12 horas (9 horas).
A greve foi decidida para protestar contra o projeto do governo de aumentar a idade limite para obter a aposentadoria e as dificuldades econômicas que atingem o país. Atualmente a lei permite que o trabalhador se aposente aos 57 anos de idade e 35 anos de contribuição. A reforma prevê que a partir de 2008 só poderão se aposentar as pessoas que contribuíram com a previdência durante 40 anos ou aquelas que chegarem aos 60 anos com 35 anos de contribuição previdenciária. No ano 2013, a idade para a aposentadoria passará a ser de 62 anos com 35 anos de contribuição.
Muitos consideram que a reforma estimula a privatização do sistema de pensões ao incentivar outras formas de seguros previdenciários. A situação econômica da Itália, que atravessa uma grave crise pelo alto custo de vida e a falta de incentivos, também é criticada pelos sindicatos, que denunciam o corte de empregos em vários setores.
Em outubro do ano passado, a Itália foi paralisada por uma greve geral proclamada por todos os sindicatos para protestar contra a reforma das aposentadorias. A Itália conta com 16,4 milhões de aposentados e 23 milhões de assalariados, numa população total de 57 milhões.

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