Buenos Aires - A capital argentina amanheceu como se este 29 de maio fosse um feriado. Devido à greve geral organizada por sindicatos, poucos carros transitaram pelas ruas de Buenos Aires, e os serviços de ônibus e metrô ficaram paralisados. Além disso, o comércio ficou parcialmente fechado, devido à dificuldade dos trabalhadores para chegarem a seus postos de trabalho. Hospitais públicos operaram apenas com a parte de pronto-socorro, e escolas públicas ficaram fechadas.

Fato de o dia ter amanhecido com temperatura por volta dos 10º C parece ter estimulado as pessoas a ficarem em casa na capital argentina
Fato de o dia ter amanhecido com temperatura por volta dos 10º C parece ter estimulado as pessoas a ficarem em casa na capital argentina | Foto: Juan Mabromata/AFP

Quem tentou tirar dinheiro em caixas eletrônicos dava com portas travadas. Num trajeto de bicicleta até o centro, a reportagem também registrou a falta de coleta de lixo. Por volta do meio-dia, montes de sacolas transbordavam das lixeiras. O fato de o dia ter amanhecido com temperatura por volta dos 10º C parece ter estimulado as pessoas a ficarem em casa.

A empresa argentina teve 330 voos afetados pela greve e disse em nota que tomou a medida para "evitar situações de confusão e problemas para os passageiros". Ela afirmou ainda que os passageiros têm 30 dias para modificar ou cancelar seus voos de maneira gratuita - depois desse prazo, taxas poderão ser cobradas.

Em comunicado, a Latam disse que os passageiros podem mudar as datas de viagem pelo site, sem multas ou diferenças tarifárias. O endereço também deve ser usado por quem deseja pedir o reembolso da passagem.

A Gol também cancelou os 14 voos que partiriam doas aeroportos de Guarulhos, Galeão e Brasília. Segundo a companhia, todos os clientes foram comunicados com antecedência e já foram remarcadas novas datas de voo. Em caso de dúvidas, a companhia pediu que os passageiros entrem em contato com sua central de relacionamento.

Os manifestantes tentaram fechar as principais vias que dão acesso à cidade - com sucesso parcial. A gendarmeria (polícia federal) conseguiu derrubar algumas das barreiras e impedir que se formassem novas, atacando grevistas com balas de borracha e gás de pimenta. Não houve feridos. Relatos de jornais locais das capitais de outras províncias davam conta de que a atividade trabalhista também esteve parada na maioria delas.

Por outro lado, a manifestação marcada para o meio-dia pelos sindicalistas, no Obelisco, no centro de Buenos Aires, ficou um pouco esvaziada. Algumas dezenas de pessoas carregavam bandeiras e tocavam bumbos com gritos de guerra contra o governo.

Esta é a quinta greve geral que enfrenta a gestão do presidente Mauricio Macri. As principais reivindicações são uma mudança na política econômica para que se contenha a inflação - já acumulada em 15,6% neste ano, segundo o Indec (IBGE local) -, aumentos de salários de acordo com o índice citado, plano de recontratação de funcionários que vêm sendo demitidos e o retorno de subsídios e planos de assistência cortados devido à política de ajustes.

Os sindicalistas também repudiam o acordo que Macri fez com o FMI (Fundo Monetário Internacional), no qual a Argentina está tomando emprestados, por meio de uma linha de crédito, US$ 57 bilhões.

O presidente manteve sua agenda, indo a um ato de homenagem ao Exército argentino. Ao discursar, não mencionou a greve. Quem falou pelo governo foi a ministra de Segurança, Patricia Bullrich, que disse que a atual gestão "está cansada das greves", classificadas por ela como "políticas". "Se o grupo governante não é o dos sindicalistas [referindo-se aos peronistas], é preciso enfrentar greves como esta."

Bullrich acrescentou que muitos tentaram ir ao trabalho nesta quarta-feira, mas foram impedidos por grupos "de piqueteiros, contra os quais estamos atuando". Já o líder sindicalista Hugo Moyano, um dos organizadores da mobilização, disse que "o nível alto de adesão é uma demonstração da rejeição que gera a política desse governo".

"Vamos continuar fazendo greve até que percebam que o rumo deve mudar", disse. "Não fazemos greve por capricho nem por ideologia, e sim por necessidade". Até a conclusão deste texto, não havia números oficiais sobre o tamanho da adesão à greve, que estava prevista para durar até a meia-noite.

Entre os serviços paralisados no país, companhias aéreas alertaram passageiros sobre possíveis alterações nos voos com origem ou destino ao país. Por isso, Latam e Aerolíneas Argentinas cancelaram todos os voos com origem ou destino para o país nesta quarta.

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