A Argentina viverá hoje a sétima greve geral contra o governo do presidente Carlos Menem. A greve foi convocada pela Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA). Será a segunda greve geral não-convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) nesta segunda metade do século. A CTA reúne funcionários públicos, professores, aposentados e desempregados em um total de 600 mil afiliados.
A central estreante conta com o Movimento dos Trabalhadores Argentinos (MTA), associação de sindicatos que divergem da CGT e controlam todo o sistema de transportes públicos. A greve será de 24 horas, sem mobilização. O líder do Sindicato dos Caminhoneiros, Hugo Moyano, afirmou que existe a possibilidade de que sejam realizados bloqueios de estradas e distribuição de comida grátis à população carente.
A aliança opositora que reúne a União Cívica Radical (UCR) e o Frepaso, que na semana passada havia declarado seu apoio à greve, voltou atrás. Seus principais líderes afirmaram que ‘‘apoiamos a greve, mas não a convocamos, já que a greve é realizada pelos trabalhadores’’. Analistas políticos em Buenos Aires consideram que a aliança opositora não quer dar chances ao governo Menem de realizar acusações de que a paralisação seja um ato político. Além disso, a aliança UCR-Frepaso preferiria não arriscar-se a apoiar uma greve que pode ter pouca repercussão.
A CGT, agora alinhada com o presidente Menem, prometeu, em troca de um projeto de flexibilização trabalhista moderado, não realizar greves até o fim de outubro, quando serão realizadas eleições parlamentares. Os próprios sindicalistas não estão muito seguros de uma ampla adesão à greve. Fontes da CTA, afirmaram que a recusa da aliança UCR-Frepaso em apoiar a greve desmobilizou a população.
A greve terá como um de seus principais ponto de apoio a paralisação dos transportes, embora os sindicatos industriais não pretendam participar. Juan Manoel Palácios, líder do Sindicato de Transportes Públicos, sustentou que a greve será ‘‘gloriosa’’. Ontem, em Buenos Aires, uma fila de quatro quilômetros de caminhões manifestou sua oposição ao modelo econômico do presidente Menem e ao desemprego de 16,1%. Inesperadamente, o histórico sindicalista Lorenzo Miguel, líder das 62 organizações, o núcleo mais ortodoxo da CGT, também anunciou sua participação na greve geral. O governo e a CGT apostam que a greve terá um efeito ‘‘bumerangue’’ e que a paralisação será um fracasso.
Sociedade com os EUA Ontem, em Washington, a secretária de Estado dos EUA, Madeleine Albright, revelou que seu país poderá designar a Argentina como sócio estragégico, numa categoria simbólica entre os aliados mais próximos fora do âmbito da Otan.
A chefe da diplomacia americana deu a notícia aos jornalistas na entrevista que se seguiu a uma reunião com o chanceler do Chile, José Miguel Insulza, que foi tratar da venda de 20 caças-bombardeiros F-16 a seu país.

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