Greve em NY causa prejuízo de US$ 400 mi ao dia
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quinta-feira, 22 de dezembro de 2005
Folhapress 
Nova York - Moradores de Nova York enfrentaram ontem, pelo segundo dia consecutivo, a maior greve no setor de transportes públicos nos últimos 25 anos, que afeta 7 milhões de pessoas e causa prejuízo estimado em US$ 400 milhões por dia.
Enquanto grevistas e governo discutem uma possível solução, a Justiça impôs uma pesada multa ontem contra a União dos Trabalhadores dos Transportes (UTT) - entidade de classe que representa os funcionários que trabalham nesse setor -, exigindo que eles paguem US$ 1 milhão por cada dia de greve.
Ele também disse que consideraria uma multa de US$ 1.000 por dia aos líderes da UTT, além de estender a sanção pecuniária automaticamente a todos os funcionários.
O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, descreveu a greve como um ''ato egoísta'', e declarou que as negociações - da qual a cidade não participa - não teriam resultado até que os 33.700 funcionários dos metrôs e ônibus voltassem a seus postos de trabalho.
A greve dos transportes públicos já afeta duramente a economia nova-iorquina. ''A greve foi decidida no pior momento possível, quando as pessoas fazem suas compras de fim de ano'', frisa Art Hogan, analista da corretora Jefferies.
Desde terça-feira, inúmeros funcionários estão ausentes na capital financeira do país, os consumidores deixam de fazer suas compras no centro ou cancelam suas reservas nos restaurantes ou na Broadway.
Levando-se em conta que um quarto das vendas do ano se realiza neste período, as lojas estão fechando suas portas mais cedo; isto quando conseguem abrir. ''Fechamento excepcional por causa de greve dos transportes'', pode-se ler na porta da farmácia Eckerd, no bairro de Soho.
Para os especialistas, no entanto, os números são superestimados. ''Os analistas projetam cifras mais modestas'', disse Art Hogan, prevendo perdas de 100 milhões de dólares por dia de greve.
''A atividade diminuiu muito'', constata Michael Burke, responsável pelo serviço ''café da manhã'' no badalado restaurante Balthazar, no bairro de Soho, que registrou uma redução de 20% de sua clientela. ''Nos restaurantes, quando se perde clientes, o dia acaba, pois eles não voltam no dia seguinte'', explica Burke.
Entretanto, o Balthazar resolveu o problema do transporte de seus funcionários. ''Isso era nosso maior problema, pois todos eles moram no Bronx ou no Queen's (bairros populares da periferia). Disponibilizamos uma van que fica na rua o dia todo e os pega nas estações de metrô. Todos eles vieram trabalhar, houve apenas alguns atrasos'', declarou.
Enquanto a perspectiva de uma greve já estava sendo analisada há vários dias, muitas empresas tinham se antecipado e fretado ônibus para transportar seus funcionários, como os gigantes financeiros Morgan Stanley e Merril Lynch. A Bolsa de Nova York fez o mesmo, e viu apenas uma leve desaceleração de suas atividades.


