Encorajado pelos aplausos da multidão, um comboio de 60 caminhões bloqueou ontem uma importante rodovia iugoslava – um dos indícios dos preparativos para a greve nacional de amanhã, com a qual a oposição quer demonstrar ao presidente Slobodan Milosevic que ele precisa deixar o cargo. Com o mesmo objetivo, cresceu ontem a pressão internacional sobre o governante iugoslavo.
Os caminhões, ostentando bandeiras e posters de do Vojislav Kostunica – que a oposição e os líderes dos países ocidentais dizem ter vencido as eleições presidenciais de 24 de setembro – foram saudados por simpatizantes ao passarem pela cidade de Cacak, um bastião da oposição na Iugoslávia Central; os oposicionistas atiravam flores sobre o comboio, que buscava interceptar a estrada que liga Belgrado ao sul do país.
Os principais cruzamentos da capital também foram bloqueados com sinalizadores de trânsito, e os trabalhadores da principal mina de carvão, das refinarias e das ferrovias já anunciaram sua adesão à greve. Na noite ontem, cerca de 10 mil oposicionistas se dirigiram à praça principal da cidade para a sétima manifestação consecutiva anti-Milosevic. As autoridades da pricipal república da Iugoslávia, a Sérvia, advertiram os estudantes para não aderirem à greve, que consideram ‘‘ilegal’’.
Em Washington, o porta-voz do Conselho Nacional de Segurança, P.J. Crowley, disse que a oposição a Milosevic está ‘‘ficando mais forte’’, e completou: ‘‘O seu tempo de mandato já terminou’’. Funcionários americanos disseram que Milosevic recusou no sábado uma oferta do presidente russo Vladimir Putin de enviar seu chanceler, Igor Ivanov, a Belgrado para mediar o impasse iugoslavo.
Em Berlim, no entanto, o governo alemão disse que Putin conferenciou por telefone, no sábado, com o chanceler alemão Gerhard Schroeder, e que ambos concordaram em que ‘‘a vitória eleitoral de Kostunica expressa o desejo do povo sérvio por mudanças democráticas na Iugoslávia’’.
Já a secretária de Estado americana Madeleine Albright assegurou que o presidente iugoslavo Slobodan Milosevic ‘‘deve sair’’ após o resultado das eleições que demonstram a vitória da oposição, conforme escreveu em um artigo para a revista Newsweek que será publicado hoje.
‘‘A máquina de Milosevic, que intimidou e saqueou a Iugoslávia durante mais de uma década, se desintegrou’’, opinou Albright em uma coluna da Newsweek reservada a comentários de convidados.
‘‘Quanto antes partir Milosevic melhor será, e assim poderá começar o processo de recuperação’’, acrescentou a chefe da diplomacia americana.
A Comissão Eleitoral Federal Iugoslava, embora reconheça uma vantagem do candidato de oposição Vojislav Kostunica, estima que ele não alcançou o número de votos suficientes para garantir a eleição no primeiro turno e convocou o segundo turno para o dia 8 de outubro. Esta opção foi descartada pela oposição.
‘‘A comissão eleitoral manipulada (de Milosevic) divulgou uma contagem de votos fictícia e absolutamente sem respaldo, que finge demonstrar ser necessário um segundo turno’’, declarou Albright. Mas, Milosevic ‘‘não engana ninguém’’ e ‘‘não terá êxito’’, assegurou.
Os dirigentes ocidentais estão dispostos a suspender as sanções contra a Iugoslávia ‘‘tão logo um governo novo e democrático assuma. Estamos dispostos a levar nossa assistência aonde possamos para ajudar os iugoslavos a ajustar sua infra-estrutura, atrair investimentos, reforçar a democracia e garantir o respeito à lei’’, afirmou Albright.

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