Greve e pressão externa contra Milosevic
PUBLICAÇÃO
domingo, 01 de outubro de 2000
France Presse De Belgrado 
Encorajado pelos aplausos da multidão, um comboio de 60 caminhões bloqueou ontem uma importante rodovia iugoslava um dos indícios dos preparativos para a greve nacional de amanhã, com a qual a oposição quer demonstrar ao presidente Slobodan Milosevic que ele precisa deixar o cargo. Com o mesmo objetivo, cresceu ontem a pressão internacional sobre o governante iugoslavo.
Os caminhões, ostentando bandeiras e posters de do Vojislav Kostunica que a oposição e os líderes dos países ocidentais dizem ter vencido as eleições presidenciais de 24 de setembro foram saudados por simpatizantes ao passarem pela cidade de Cacak, um bastião da oposição na Iugoslávia Central; os oposicionistas atiravam flores sobre o comboio, que buscava interceptar a estrada que liga Belgrado ao sul do país.
Os principais cruzamentos da capital também foram bloqueados com sinalizadores de trânsito, e os trabalhadores da principal mina de carvão, das refinarias e das ferrovias já anunciaram sua adesão à greve. Na noite ontem, cerca de 10 mil oposicionistas se dirigiram à praça principal da cidade para a sétima manifestação consecutiva anti-Milosevic. As autoridades da pricipal república da Iugoslávia, a Sérvia, advertiram os estudantes para não aderirem à greve, que consideram ilegal.
Em Washington, o porta-voz do Conselho Nacional de Segurança, P.J. Crowley, disse que a oposição a Milosevic está ficando mais forte, e completou: O seu tempo de mandato já terminou. Funcionários americanos disseram que Milosevic recusou no sábado uma oferta do presidente russo Vladimir Putin de enviar seu chanceler, Igor Ivanov, a Belgrado para mediar o impasse iugoslavo.
Em Berlim, no entanto, o governo alemão disse que Putin conferenciou por telefone, no sábado, com o chanceler alemão Gerhard Schroeder, e que ambos concordaram em que a vitória eleitoral de Kostunica expressa o desejo do povo sérvio por mudanças democráticas na Iugoslávia.
Já a secretária de Estado americana Madeleine Albright assegurou que o presidente iugoslavo Slobodan Milosevic deve sair após o resultado das eleições que demonstram a vitória da oposição, conforme escreveu em um artigo para a revista Newsweek que será publicado hoje.
A máquina de Milosevic, que intimidou e saqueou a Iugoslávia durante mais de uma década, se desintegrou, opinou Albright em uma coluna da Newsweek reservada a comentários de convidados.
Quanto antes partir Milosevic melhor será, e assim poderá começar o processo de recuperação, acrescentou a chefe da diplomacia americana.
A Comissão Eleitoral Federal Iugoslava, embora reconheça uma vantagem do candidato de oposição Vojislav Kostunica, estima que ele não alcançou o número de votos suficientes para garantir a eleição no primeiro turno e convocou o segundo turno para o dia 8 de outubro. Esta opção foi descartada pela oposição.
A comissão eleitoral manipulada (de Milosevic) divulgou uma contagem de votos fictícia e absolutamente sem respaldo, que finge demonstrar ser necessário um segundo turno, declarou Albright. Mas, Milosevic não engana ninguém e não terá êxito, assegurou.
Os dirigentes ocidentais estão dispostos a suspender as sanções contra a Iugoslávia tão logo um governo novo e democrático assuma. Estamos dispostos a levar nossa assistência aonde possamos para ajudar os iugoslavos a ajustar sua infra-estrutura, atrair investimentos, reforçar a democracia e garantir o respeito à lei, afirmou Albright.


