Greve contra congelamento de salários
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 12 de dezembro de 1996
France Presse, de Madri 
Dezenas de milhares de pessoas fizeram manifestação ontem à noite em diferentes localidades espanholas para protestar contra o congelamento salarial do funcionalismo e como parte de uma greve de 24 horas dos empregados do setor público. O congelamento de salários é uma medida destinada, segundo o governo, a preparar o país para a entrada da moeda única européia, em 1999.
Em alguns lugares, sobretudo em Andaluzia (sul), as manifestações chegaram a ser canceladas por causa da forte chuva que atingiu toda a região.
A mais importante das manifestações aconteceu à tarde, em Barcelona (nordeste), onde 100.000 pessoas foram às ruas para o protesto. Alguns atiraram laranjas e peixes contra o Parlamento regional.
Em Madri, milhares de pessoas se concentraram na Puerta del Sol, sob uma forte chuva; participaram líderes dos principais sindicatos, entre eles Cándido Méndez, secretário geral da União Geral de Trabalhadores (UGT, socialista), e Antonio Gutiérrez, das Comissões Operárias (CCOO, comunista).
As principais capitais da província também foram cenário de diferentes protestos. Em todos eles foram ditas palavras de ordem contra o Gabinete conservador de José María Aznar e em muitos cartazes anunciava-se mobilizações futuras contra o congelamento salarial.
Os números de participação nesta greve são muito variados. Segundo as estimativas do governo, a greve teve a adesão de 18,7% dos dois milhões de funcionários. Os sindicatos, por sua vez, qualificaram a greve de sucesso total, já que, segundo eles, 81,3% dos funcionários públicos deixaram de trabalhar.


