Agência Estado
Buenos Aires
A greve geral de 24 horas realizada ontem pela Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA) teve uma adesão que analistas classificaram como ‘‘de média intensidade’’. Embora o setor industrial e o comércio não pretendessem paralisar suas atividades, a mobilização dos grevistas conseguiu obstaculizar os transportes em quase todo o país, especialmente no interior. Foi a sétima greve contra o governo do presidente Carlos Menem e a quinta em menos de um ano.
Foi a greve geral mais difícil de organizar, já que não contava com o apoio da Confederação Geral do Trabalho (CGT). O movimento tampouco teve o apoio direto dos partidos da oposição, que se limitaram a expressar sua ‘‘solidariedade’’.
A CTA é, após a CGT, a segunda central sindical em tamanho na Argentina. Com 600 mil filiados, entre eles, funcionários públicos, professores, aposentados e desempregados, realizou a segunda greve feita sem apoio da CGT em cinquenta anos. A CGT, atualmente alinhada com o governo Menem, comprometeu-se a não realizar greves até outubro, quando ocorrem eleições parlamentares.
Não estavam previstas manifestações em Buenos Aires, mas, ao meio-dia, a segunda esquina mais movimentada da capital, a das avenidas Corrientes e Callao, foi interrompida por grevista com pneus em chamas. O próprio presidente Carlos Menem teve que suportar uma hora de panelaço na frente da residência oficial de Olivos, realizado por uma centena de manifestantes.
De madrugada, algumas estradas de acesso à Buenos Aires foram bloqueadas pelos grevistas, mas logo em seguida os piquetes foram removidos. A ponte Pueyrredón, que liga Buenos Aires com a região sul de sua área metropolitana, foi bloqueada com pneus em chamas e escombros. Cerca de 150 ônibus foram apedrejados. A estrada que liga a cidade de La Plata, capital da província de Buenos Aires, com a capital argentina também foi interrompida. Quase uma centena de manifestantes manteve o bloqueio durante duas horas.

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