Greve argentina se confunde com feriado de Natal
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sexta-feira, 27 de dezembro de 1996
Ariel Palacios, da Agência Estado 
BUENOS AIRES - A Confederação Geral do Trabalho (CGT) da Argentina realizou ontem a terceira greve geral dos últimos seis meses. A paralisação, convocada às pressas na sexta-feira passada após o fracasso das negociações com o governo sobre a flexibilização trabalhista, teve ampla adesão, causada pelo prolongamento do feriado de Natal e a participação dos sindicatos dos transportes. Governo e empresários sustentaram que a realização da greve em nada modifica as leis de reforma do trabalho.
Em uma tentativa de maquiar as divergências entre os principais grupos sindicais, a CGT não convocou uma marcha de protesto. Uma fonte da central sindical admitiu na noite de quarta-feira ao Estado: Não convocamos uma marcha porque seria um fracasso. Nenhum operário sairá de casa no dia seguinte ao Natal. Centrais dissidentes como o Movimento dos Trabalhadores Argentinos e a Central dos Trabalhadores Argentinos não concordaram com as negociações secretas que a CGT manteve com o governo durante o mês de novembro. Uma manifestação conjunta poderia terminar com graves incidentes entre as facções e debilitar ainda mais a imagem do sindicalismo com a população.
Esta é a sexta greve geral contra o governo do presidente Carlos Menem desde 1989. É a quarta desde que ele foi reeleito em maio do ano passado.
A greve teve grande adesão no empobrecido interior do país. Na capital, bancos e pequeno comércio funcionaram normalmente.


