Greenwich se engalana para a festa do milênio
PUBLICAÇÃO
domingo, 03 de janeiro de 1999
Juliette Baillot France Presse 
A Grã-Bretanha quer engalanar-se para celebrar o milênio e pretende transformar o bairro londrino de Greenwich - que deu seu nome ao tempo universal - no lugar mais visitado do mundo, neste final de século, um projeto catalogado de oneroso e vulgar por alguns comentaristas. O governo de Tony Blair, animado por um delírio megalomaníaco, segundo certos críticos, ou por simples orgulho nacional, de acordo com outros, está encantado com seu projeto, que inclui a construção de uma gigantesca Cúpula do Milênio em Greenwich, à beira do Tâmisa.
Graças à sua operação Londres, cidade do Milênio, o Governo espera atrair 31 milhões de visitantes do mundo inteiro no ano 2000, turistas que segundo estimativas iniciais deixarão 10 bilhões de libras (16,7 bilhões de dólares).
A Grã-Bretanha é a pátria do Tempo, não podia fazer menos, explicou o ministro da Cultura, Chris Smith, prometendo a maior festa do mundo no dia 31 de dezembro deste ano em Londres.
O resto do Reino Unido não foi esquecido, afirmou Downing Street. Uma Comissão para o Milênio já definiu 1,2 bilhão de libras (2 bilhões de dólares) de apoio a 189 projetos locais, como a construção de uma biblioteca do milênio em Norwich ou de um Centro Nacional sobre o Espaço em Leicester.
Mas o público não parece muito convencido. Somente 27% dos britânicos acham que o trabalho da Comissão do Milênio beneficiará sua região, segundo uma pesquisa, e 48% deles prefeririam festejar o ano 2000 em Paris, de acordo com outro estudo.
As autoridades elogiam as atrações da futura Cúpula londrina, um gigantesco disco voador de 1 km de circunferência e 50 metros de altura, aonde se poderá chegar graças a uma extensão especial do metrô.
O projeto ainda é vago e seu exorbitante custo provoca reações irritadas. Esta cúpula custaria 758 milhões de libras (1,6 bilhão de dólares), de um total de 6 bilhões de libras (10 bilhões de dólares) dedicados por Londres à celeração do ano 2000.
Os estetas denunciaram o mau gosto revelado pelas maquetes e o diretor artístico do projeto preferiu desistir para não ver seu nome associado a essa sórdida vulgaridade.


