Grécia inicia retirada de refugiados de campo na fronteira
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terça-feira, 24 de maio de 2016
Folhapress 
São Paulo - As autoridades da Grécia começaram ontem a retirada de cerca de 8 mil pessoas que permaneciam no campo de refugiados de Idomeni, o maior do país, na fronteira com a Macedônia. O local era um dos principais pontos de parada da rota que passava pelos países dos Bálcãs rumo ao norte da Europa. O campo chegou a abrigar 14 mil pessoas antes de os macedônios fecharem a fronteira, em março. A operação contou com a participação de 700 policiais, mas a retirada dos refugiados e imigrantes ocorreu sem confronto. Ônibus levaram cerca de 1.100 pessoas a acampamentos do governo em Tessalônica, a 86 km dali.
Apesar da calma na retirada, os refugiados não pareciam satisfeitos. "Isso não é bom, porque nós ficamos três meses aqui e vamos passar mais seis antes de sermos realocados", disse o sírio Hind al-Mkawi, de 38 anos, que fugiu de Damasco. Abdo Rajab, de 22, também passou três meses em Idomeni e agora pensa em pagar traficantes de pessoas para tentar chegar à Alemanha. "Não me importo em ir aos campos, mas minha vontade é chegar à Alemanha", afirmou.
Segundo a polícia, a estimativa é que a retirada dure de uma semana a dez dias. Além de consequência do fechamento da fronteira com a Macedônia, o campo de Idomeni diminuiu de tamanho devido à formação de outros acampamentos na Grécia. A maioria dos refugiados e imigrantes vivia em pequenas barracas colocadas nos pastos próximos à linha férrea que liga o território grego aos Bálcãs. ONGs ofereciam comida e atendimento médico a seus habitantes.
Embora as autoridades gregas tenham colocado equipes de limpeza e banheiros químicos, as condições de higiene no local eram precárias e o campo se transformava em um lamaçal em dias de chuva, principalmente no inverno. Nos últimos meses, o campo começou a ganhar uma cara mais permanente, com a formação de barracos de madeira e com refugiados vendendo produtos como utensílios de cozinha e alimentos.


