Arquivo FolhaHabilidadeMeijide: ‘‘Ao constituirmos a Aliança, impedimos o surgimento de um partido que criasse oposição a si mesmo’’A vitória da oposição nas eleições parlamentares na Argentina, no último domingo de outubro, está provocando uma grande discussão dentro do Partido Justicialista, que começa a reconhecer a conveniência de ‘‘reperonizar’’ o partido. Finalizada a contagem dos votos na semana passada, a sensação no ‘‘menemismo’’ é semelhante à provocada pelo forte turbilhão de um caminhão em alta velocidade ao ultrapassar um fusca. Entretanto, o caminhão não está, desta vez, nas mãos de um motorista maluco, mas nas de uma mulher, que, pela primeira vez na história do país, foi a principal responsável pela maior derrota do peronismo numa eleição.
Graciela Fernández Meijide, de 66 anos, é o grande fenômeno político argentino e a responsável também pela união das oposições. O seu sucesso está levando o presidente Carlos Menem a iniciar uma campanha pela ‘‘reperonização’’ do peronismo. Menem quer recuperar a unidade do partido e a iniciativa política para debater temas pendentes, como o do desemprego, privatizações que ainda faltam, reforma tributária e aumento de salários para professores e aposentados.
Graciela afirma que essa discussão deveria ter se iniciado em 1989, quando Menem assumiu seu primeiro mandato. Na opinião dos oposicionistas, foram oito anos de intransigência para discutir, além desses temas, outros como o da independência da Justiça, o crescimento da corrupção no país, a falta de segurança e o abandono da educação. Resultado: o peronismo levou uma surra nas urnas no dia 26 de outubro.
‘‘Ao constituirmos a Aliança, impedimos o surgimento de um partido que criasse oposição dentro de si mesmo. E, ao ganhar as eleições, estamos obrigando o oficialismo a discutir temas de agenda que não queriam discutir’’, diz a senadora. Há quatro anos, a Frente País Solidário (Frepaso) e a União Cívica Radical (UCR) começaram a sua luta contra a indiferença do governo nas questões sociais.
Graciela, com capacidade reconhecida de aglutinar forças graças a seu carisma, foi convidada para liderar a Aliança. Para isso, decidiu abdicar de seu cargo de senadora, com mandato até 2001, e partir para uma luta contra a candidata da situação, Hilda Chiche Duhalde, mulher do governador da Província de Buenos Aires, maior colégio eleitoral e reduto peronista. E ganhou.

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